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Provas finais: haja adrenalina
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Encarar um boletim vermelho no final do ano não é nada agradável, e o pior é que a angústia aumenta na mesma proporção das cobranças da família, da escola e, claro, do próprio aluno |
ALINE FEITOSA DA EQUIPE DO DIARIO |
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Chega o final do ano e, no boletim, a bomba: o filhinho ficou em recuperação. Aí vem aquela ladainha (dita por todos os pais), que você não faz mais nada da vida além de estudar; que passar por média é obrigação e que, se levar pau, o castigo terá duração de um ano. A pressão surge, normalmente, dos dois lados: da família e da escola. No sufoco, não há outra solução: enfiar a cara nos livros e, muitas vezes, surpreender com aquela nota alta na suada prova final - que na verdade poderia ter sido obtida ao longo do ano, com um pouquinho mais de esforço.
 Thaís, 16, ficou em recuperação em sete matérias: sei que tudo depende de mim. Fotos: Simone Ventura / Especial para o Diario. | O sermão já é conhecido por aqueles alunos que não desprezam a adrenalina de uma recuperação. Porém, há aqueles que se esforçam, prestam atenção na aula, mas não tem jeito: a recuperação já faz parte do calendário escolar. Para a psicopedagoga Jaidenise Azevedo, a dificuldade de cada aluno deve ser avaliada individualmente. "É preciso que o professor esteja capacitado para perceber as condições do aluno. Além disso, o conteúdo das aulas poderia ser reconstruído durante o ano todo e não apenas no final", coloca ela, reconhecendo que algumas escolas já seguem esse procedimento, com a "provas finais de reconstrução", realizadas em quatro etapas durante o ano letivo.
A compreensão dos pais e um bom diálogo para saber os motivos das notas baixas também podem ser grandes aliados no sucesso do aprendizado dos filhos. "Às vezes os pais cobram só a nota, enquanto apenas isso não mede conhecimento. A pressão pode angustiar. Quando o adolescente fica em recuperação não é porque ele quer. Deve estar havendo algo e ele está precisando de ajuda", diz a psicopedagoga. Para a estudante do 1º ano, Thaís Barros, 16 anos, a ida para recuperação em sete matérias envolveu uma série de coisas. "A entrada num colégio novo foi uma delas. Mas, admito que relaxei um pouquinho. Sei que tudo só depende de mim", comenta a garota que vive a situação pela primeira vez. "O pior é que eu gosto das matérias. Isso é que dá mais raiva", lamenta.
 Bárbara, 15, adiou as férias e está estudando quatro horas por dia. | Assim como Thaís, sua amiga de classe Bárbara Amorim, 15 anos, teve a rotina completamente modificada neste final de ano por conta da recuperação. Bárbara, que ficou pendurada apenas nas matérias de cálculo (matemática, física e química), precisando de notas que não passam de 5,, estuda mais de quatro horas por dia. As outras atividades, porém, são mantidas. "Ainda pratico natação e faço aulas de inglês", afirma. A mãe de Bárbara, Geisa Amorim, vê a recuperação da filha como uma coisa normal e alivia nas cobranças. "Ela mudou de colégio e, além disso, perdeu o pai há três anos, que a ensinava nas matérias de cálculo. Vou contratar um professor particular para ajudá-la e sei que vai dar tudo certo", declara Geisa, confiante na filha, entendendo o momento como uma reconstrução e não como punição.
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