Os fruticultores do Vale do São Francisco tornaram conhecida no exterior a uva sem semente da região. Agora investem em produtos feitos a partir desta variedade bastante apreciada na Europa. O primeiro deles é a uva passa. Cerca de 30 pequenos produtores dos municípios de Petrolina, Santa Maria da Boa Vista e Lagoa Grande estão no negócio. Juntos, eles já conseguiram processar 10 toneladas. Venderam para Minas Gerais, São Paulo e Distrito Federal a R$ 10,00 o quilo. A meta para 2006 é aumentar a produção.
O trabalho foi iniciado no final de 2004, depois que o Sebrae Pernambuco recebeu a visita da Bauducco. Os representantes da empresa - uma das grandes do setor de alimentos no país - queriam saber se o pessoal do Vale fabricava uva passa. A idéia era utilizar o produto nos panetones feitos pela Bauducco. Como a uva passa não existia na região, o Sebrae montou um projeto e convidou os agricultores que participavam do Programa Local de Transferência de Tecnologia da Uva Sem Semente.
Os produtores passarama usar tecnologia do Programa Sebrae de Consultoria Tecnológica (Sebrae Tec) e do Senai Certa. Quase todos os envolvidos já tinham experiência de exportação da uva sem semente. A fruta que passou a ser utilizada para a fabricação da passa foi aquela que não estava 100% dentro do padrão estabelecido pelos agricultores para o mercado internacional. "Mas ela continua sendo um produto de qualidade e é aproveitada", destaca Sebastião Amorim, gestor do programa de fortalecimento da fruticultura do Sebrae.
Amorim lembra que os produtores não fecharam negócio com a Bauducco porque não chegaram a um acordo sobre os preços. Mas acabaram abrindo mercado para a uva passa da região e despertaram o interesse de outros agricultores. Segundo ele, pelo menos outros 50 produtores querem participar do projeto. A idéia é aumentar o volume produzido, conquistar outros mercados no Brasil e depois exportar. Hoje, a maior parte da uva passa consumida no país vem da Argentina e do Chile. O projeto deve chegar aos produtores da Bahia.
Manga - Os fruticultores do Vale podem em breve iniciar a comercialização da polpa de manga embalada a vácuo. O Sebrae vai enviar amostras para possíveis compradores na Suíça e no Irã. "É uma forma de agregar valor à manga", diz Sebastião Amorim. Se o produto fizer sucesso, os produtores poderão exportar até 300 toneladas para os dois países. Ano passado, os fruticultores do Vale exportaram 115 mil toneladas de manga, principalmente para a Europa (68%) e Estados Unidos (26%).
Em Pernambuco, o produto é o sétimo entre os mais exportados. Entre janeiro e novembro, o estado vendeu para o mercado externo 35,4 mil toneladas, que renderam US$ 24 milhões. Já a uva de mesa (com e sem semente) apresentou um crescimento de 188,47% este ano e ocupa o segundo lugar entre os principais produtos da pauta de exportações pernambucana. Em 11 meses, os foram vendidos 25,1 mil toneladas, o equivalente a US$ 53,9 milhões. Nesse mesmo período do ano passado, a venda da fruta havia somado US$ 18,7 milhões.
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