Brasília - O PPS atribuiu ontem, em nota, a um acordo entre os partidos que foram atingidos nas denúncias do mensalão e o governo a absolvição, anteontem à noite, pelo plenário da Câmara, do deputado Romeu Queiroz (PTB-MG). Queiroz foi acusado pela CPI dos Correios de ser um dos beneficiários do esquema de caixa dois montado pelo ex-secretário tesoureiro do PT Delúbio Soares e pelo empresário Marcos Valério. "O PPS vem a público repudiar o conluio dos partidos do mensalão, que, sob a batuta do próprio governo Lula, mais uma vez, juntam-se para fraudar a vontade popular, ferir a democracia e desmoralizar as instituições republicanas", afirma o comunicado.
De acordo com o partido, a rejeição, pelo plenário, do parecer do Conselho de Ética que aprovou a cassação do deputado do PTB de Minas Gerais por 12 votos contra 2, é "claro sinal de que uma estratégia de abrir as portas para a passagem impune de outros acusados está em curso". "Isto enfraquece a autoridade da Câmara dos Deputados para se credenciar como artífice de saídas para a crise moral que o País atravessa." No comentário, a legenda convoca a sociedade para que combata esse tipo de articulação.
"O PPS rejeita os acordões e seus parlamentares fazem coro com a cidadania pelo aprofundamento das investigações e também pela punição dos culpados. Com este espírito, o PPS convoca a sociedade brasileira a erguer-se contra armações que buscam a impunidade feitas pelo governo Lula e pelos partidos do mensalão," conclui o texto, assinado pelo presidente nacional da sigla, deputado Roberto Freire (PE).
Petista reage - A absovição de Queiroz também foi criticada pelo deputado Mauro Passos (PT-SC). Segundo ele, o deputado Osvaldo Biolchi (PMDB-RS), fez "boca-de-urna", ao distribuir cédulas marcadas com voto negativo a cassação. O deputado pretende questionar a atitude de Biolchi na Corregedoria da Casa. Ele considerou "descabida" a acusação de Passos e afirmou que não fez boca-de-urna. "Quando eu saí da cabine, com empurrões, minha cédula da mão caiu no chão. Quandofui procurar, não achei mais. Tirei a outra do bolso e fui com aquela mesmo", disse ao se defender das acusações de Mauro Passos. O pedido que originou a abertura do processo disciplinar contra o deputado mineiro foi apresentado pelo PL.
O relator substituto, deputado Nelson Trad (PMDB-MS), havia defendido a cassação sob o argumento de que Queiroz cometera um "deslize indesculpável" ao intermediar o recebimento de R$ 450 mil para o PTB e para candidatos do partido às eleições municipais em 2004. O dinheiro foi repassado, em nome do petebista, pelas empresas de Marcos Valério parte a pedido do PT (R$ 350 mil), parte a pedido da empresa Usiminas (R$ 102 mil).
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