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Atualizado em 12|12|2005 
Fun Zine | Nem tudo é fantasia na tela grande
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FUN ZINE
Nem tudo é fantasia na tela grande
LUCIANA VERAS
DA EQUIPE DO DIARIO
Se você é cinéfilo, tem 16 anos ou mais e, passado o fim de semana em que a principal estréia cinematográfica (As crônicas de Nárnia: o leão, a feiticeira e o guarda-roupa) ocupa 14 salas e outro filme infanto-juvenil (Harry Potter e o cálice de fogo) está alocado em outros 17 cinemas, defronta-se com o pensamento de que talvez não haja nada para ver, calma. No despair, como dizem os ingleses. Na Expectativa 2006, promovida pelo Cinema da Fundação, há um punhado de filmes legais para a juventude, dois deles com adolescentes como protagonistas: O mundo de Jack e Rose (The ballad of Jack and Rose, EUA, 2005) e A criança (L'enfant, França, 2005).

  Por coincidência, os dois serão projetados em seqüência, com O mundo..., segundo longa de Rebecca Miller, filha do falecido dramaturgo Arthur Miller, passando às 18h10 da próxima quinta-feira, e A criança, que deu aos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne a Palma de Ouro no Festival de Cannes, às 20h30. Em comum entre os dois, o confrontamento dos jovens com questões que os impelem a amadurecer e enfrentar o fim da adolescência e o começo da vida adulta.


Em O mundo de Jack e Rose, Daniel Day-Lewis é um pai que cria a filha isolada do mundo.
  Em O mundo de Jack e Rose, Daniel Day-Lewis (A época da inocência, Gangues de Nova York) é um pai que cria sua filha de 16 anos, Rose (Camilla Belle), isolada de qualquer interferência externa. Ele é um ex-hippie que permaneceu na comunidade, numa ilha na costa leste dos EUA, e assim quis educar sua única herdeira, formando com um ela uma forte e excludente ligação. Sua estratégia começa a se enfraquecer quando Rose desabrocha, ele convida a namorada Kathleen (Catherine Keener) e os dois filhos adolescentes dela para morar juntos, e o conflito da descoberta da sexualidade se instaura.

  Um outro conflito é retratado em A criança. Logo no início do filme, o público aprende que Bruno (Jérome Regnier) e Sonya (Deborah François) são um casal meio estranho. Ele, 20, nem liga para ela, 18, e o recém-nascido bebê dos dois. Bruno se vira com pequenos trambiques, roubando carteiras aqui, arrumando uns trampos acolá, enquanto Sonya esforça-se para criar uma rotina de família, o que não acontece até porque os dois agem de modo intempestivo. Isso se agrava quando Bruno resolve vender a criança e ficar com o dinheiro.

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