Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu, e os ministros da área econômica estão criando as condições para retirar o país da desaceleração econômica. Ontem, Lula editou um decreto reduzindo a zero as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre setores que são motores da economia, como bens de capital e agrícola. Ao mesmo tempo, está definindo com os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e do Planejamento, Paulo Bernardo, a edição de um decreto que redireciona recursos orçamentários e autoriza gastos que podem atingir cerca de R$ 12 bilhões, referentes ao chamado excedente do superávit primário - a economia feita para pagar os juros da dívida.
O governo está convencido de que, apesar da tendência de queda da taxa de juros (Selic) nos próximos meses, é preciso "um empurrão a mais" para garantir que a economia retome o fôlego. Os efeitos de uma redução ou aumento da taxa Selic não são perceptíveis no curtíssimo prazo, mas geralmente aparecem entre seis e novemeses. "Para parar a locomotiva ou para acelerá-la, é necessário um tempo", ponderam os técnicos. Os economistas consideram a possibilidade de o IBGE rever o nível de produção interna no terceiro trimestre (quando foi registrada uma queda de 1,2%), mas isso só acontecerá em fevereiro de 2006. Até lá, torna-se necessária uma mensagem inequívoca de Lula de que a aposta é no crescimento. É nesse ambiente que o governo quer conduzir a campanha eleitoral de 2006.
As linhas de ação escolhidas para esse estímulo adicional foram a desoneração de setores que fazem a economia se mover com maior velocidade e a participação do estado, por meio da liberação dos gastos. Uma corrida do gasto acontecerá a partir da próxima semana, quando o presidente Lula editar o decreto para remanejar o Orçamento e autorizar a economia feita nos primeiros 10 meses, na parcela específica de responsabilidade do governo.
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