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Edição de Terça-Feira, 13 de Dezembro de 2005 
Vida Urbana | A Namíbia brasileira
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VIDA URBANA
A Namíbia brasileira
Atlas coloca a cidade do Recife como campeã nacional da desigualdade social, com índice à frente apenas ao do país africano
Sérgio Miguel Buarque
Da Equipe do DIARIO
Os inúmeros rios e pontes que compõem a paisagem recifense inspirou poetas a chamarem a cidade de "Veneza brasileira". Mas uma análise comparativa entre o Atlas de Desenvolvimento Humano do Recife e o Relatório Global de Desenvolvimento Humano 2005, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), acaba com qualquer romantismo. O relatório coloca a capital pernambucana como a campeã nacional da desigualdade social. Recife tem um índice Gini (principal indicador sobre o assunto e que vai de uma escala de 0 a 1) de 0,68. No mundo, Recife só fica à frente da Namíbia. O país localizado no sudoeste da África tem a maior concentração de renda do planeta com um índice de 0,707.


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  De maneira geral, as capitais nordestinas são as mais desiguais do Brasil. A região possui nove das 14 capitais com maior concentração de renda no país. Além do Recife, outro destaque negativo é Maceió (Alagoas), também com um índice Gini de 0,68. No outro lado da lista está Florianópolis (Santa Catarina) com 0,57.

  A má distribuição de renda e a desigualdade social são os maiores problemas do Recife. Mas em alguns outros indicadores que constam do Atlas de Desenvolvimento Humano, lançado oficialmente ontem pela Prefeitura da Cidade do Recife, a capital pernambucana apresentou alguns aspectos positivos, melhorando um pouco em áreas importantes como educação e saúde. Com isso, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Recife pulou de 0,740 em 1991 para 0,797 em 2000. Isso coloca a cidade no 10º lugar no ranking das metrópoles brasileiras e num patamar internacional semelhante ao do México.

  Entre as capitais nordestinas, Recife apresenta o segundo melhor IDH, perdendo apenas para Salvador (Bahia) com 0,805. O valor alcançado pela capital baiana a coloca entre as cidades consideradas de "desenvolvimento humano alto" pelas Nações Unidas. Salvador tem um padrão comparado com o de Trinidad e Tobago. Por este parâmetro, Recife se encaixa entre as nações de "desenvolvimento médio".

  Não é difícil de imaginar que a realidade do Nordeste é bem diferente da apresentada no Sul e Sudeste do país. A desigualdade regional é claramente constatada no ranking do IDH. No topo da lista está Porto Alegre (Rio Grande do Sul). O IDH dos gaúchos é de 0,865, comparado com o de Barbados. Em segundo lugar aparece Curitiba (Paraná) com 0,856 em 2000. Curitiba, por sinal, foi a capital que apresentou o maior crescimento. Em 1991 a cidade tinha um IDH de 0,799 e ocupava a quarta colocação. Já São Paulo, caiu do segundo lugar em 1991 (0,805) para o quinto dez anos depois (0,841).

Região Metropolitana - O Atlas de Desenvolvimento Humano permite a comparação do Recife com outras capitais e também com os municípios de Pernambuco. Entre as 14 cidades da Região Metropolitana, Recife perdeu a liderança que tinha em 1991 e passou para o segundo lugar. Quem assumiu a ponta foi Paulista com um IDH de 0,799, equivalente ao da Letônia. Olinda manteve-se na terceira colocação com um IDH de 0,792, na mesma faixa de Cuba. Quem tem a pior média da RMR é Araçoiaba. O município tem o mesmo índice de IDH do Gabão (0,637).

  Um dado importante que pode ser constatado no Atlas de Desenvolvimento Humano é que a maior parte das cidades da RMR avançou menos do que Pernambuco. A média do estado avançou de 0,620 em 1991 para 0,705 em 2000. Um crescimento importante mas ainda pequeno comparado com o tamanho dos problemas que precisam ser resolvidos.
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