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Atualizado em 28|11|2005 
Guia de Profissões | Abrindo caminhos para as novas gerações
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GUIA DE PROFISSÕES
Abrindo caminhos para as novas gerações
O engenheiro José Jorge Seixas foi um dos fundadores do curso de cartografia da UFPE, o primeiro do país
Cristina Sobreira
Especial para o DIARIO
Engenheiro, professor e pesquisador. Aos 73 anos de idade, o acadêmico José Jorge Seixas inspira conhecimento. Engenheiro civil de formação, ele foi um dos professores que, em 1972, ajudou a fundar, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o primeiro curso oficial de engenharia cartográfica do país, ao qual se dedicou por mais de 20 anos.


O professor José Jorge de Seixas fez especialização em fotogrametria - medição de áreas por meio de fotografias - na holanda. Foto: Jaqueline Maia/DP.
  Mas o interesse pelo desenvolvimento científico começou muito antes. Ainda estudante da graduação na UFPE, José Jorge Seixas foi convidado a ser monitor da disciplina de topografia e ao concluir o curso de engenharia civil, em 1957, participou da criação do curso de geologia pelo Centro de Aperfeiçoamento de Geologia (Cage).

  "Não havia geólogos no país, então o presidente Juscelino Kubitschek para atender a Petrobras, fundou cinco escolas de geologia no Brasil e a do Recife foi uma delas. Depois de cinco anos, a Cage entregou o curso à UFPE", conta.

  Em 1958, foi o único professor do país selecionado para fazer o curso de especialização em fotogrametria e fotointerpretação no Geological Furvey (departamento de geologia dos Estados Unidos).

  A implantação do curso de engenharia cartográfica viria dois anos antes da sua viagem à Holanda para fazer o mestrado em fotogrametria (medição de áreas por meio de fotografias). Seixas relembra que, entre 36 professores que fizeram especialização em fotogrametria no Instituto Internacional de Fotogrametria e Ciências da Terra (ITC), na Holanda, só seis foram aprovados para o mestrado, incluindo ele.

  "Concluí minha tese em três anos. Lá não podia ser dissertação, era defesa de tese. E em 74, quando no Brasil não se falava quase nada em digital, minha tese, foi o primeiro mapa digital do ITC", explica.

  Chefe duas vezes do departamento de engenharia catográfica e duas vezes coordenador do curso, a grande preocupação era criar condições para oferecer o curso de mestrado no estado e assim formar uma equipe de professores estruturada que pudesse desenvolver projetos e que fizesse convênios gerais com o governo e com particulares. "Eu participava do departamento na ânsia que todos os professores fizessem o mestrado e doutorado, pois esse era um ponto fraco na época", relembra.

  Graças ao seu conhecimento com pesquisadores alemães, Seixas conseguiu que parte deles viessem ao Recife e assinassem convênio entre as Universidades de Hannover e Karlshuhe com o departamento de engenharia cartográfica da UFPE para criação de quatro laboratórios no curso. "Por causa desse convênio conseguimos estruturar o departamento com o que há de mais moderno na área".

Determinação - Mesmo com tantas obrigações, defendeu tese na UFPE em 1988 em fotogrametria aplicada à oceanografia e foi aprovado com nota 9,7. "Era um projeto inédito e foi aplicado na construção do Porto de Carajás em São Luís do Maranhão, na baía de São Marcos, que recebia navios de exportação de ferro, com mais de 100 mil toneladas. Também no rio Potengi, em Natal, para a abertura do canal do porto".

  Apesar ter se aposentado em 1996, como professor titular, José Jorge Seixas continua dando exemplo de dedicação aos seus alunos e colegas. Há 9 anos, ministra aulas no curso de doutoramento de geologia gratuitamente. Amor por aquilo que ajudou literalmente a construir. "Lembro que no governo de Miguel Arraes ganhamos uma concorrência pública para fazer o projeto de abastecimento de água dos morros de Casa Amarela. Com esse dinheiro, construímos 1/3 das salas do sexto andar do departamento", orgulha-se.

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