São Paulo - O Ministério da Saúde ganhou há uma semana 5 mil testes do laboratório Roche capazes de identificar os dois principais grupos do vírus da gripe influenza (A e B) em dez minutos. O vírus da gripe aviária H5N1 é do grupo A, por exemplo. A compra de mais 800 testes está em fase de licitação.
"Vamos distribuí-los pelos três laboratórios de referência (Fiocruz, Adolfo Lutz e Evandro Chagas), onde serão analisados em surtos de gripe", informa Eduardo Hage, coordenador de Vigilância de Doenças Transmissíveis do ministério. "Como forma de ajudar o governo brasileiro a se preparar melhor para uma possível pandemia de gripe aviária, a Roche doou 5 mil testes. A forma de utilização dos testes fica a critério do governo", disse o laboratório em nota oficial. O teste é usado em programas de países como França, Alemanha e Suíça.
O teste é simples: a secreção do nariz ou da garganta é coletada com um tipo de cotonete e misturada em uma solução de anticorpo do influenza. O resultado sai numa tira, parecida com a dos testes de gravidez. A eficiência dos testes rápidos começou a ser estudada neste ano pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na Ásia, para o caso de haver uma pandemia de gripe aviária.
Mesmo sem a comprovação de eficácia na possibilidade dessa pandemia, os testes rápidos nunca chegaram tão perto do H5N1 em humanos. "Já é um feito chegar à identificação do grupo A ou B em minutos. Isso serve para registrar rapidamente o início de pandemias", avalia Celso Granato, infectologista da Universidade de São Paulo (Unifesp) e do laboratório Fleury. "O antiviral Tamiflu, por exemplo, é usado para combater muitos subtipos do vírus, não especificamente o H5N1."
Cautela - O infectologista Gilberto Turcato, do Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, pede cautela. "Os testes podem dar uma falsa segurança. Mesmo com a praticidade, precisam ser usados por gente treinada", diz. "Além disso, ele tem índices de falso negativo em torno de 20%." De acordo com Hage, a margem de erro não seria obstáculo no início de uma triagem.
A doação e a compra do governo coincidem com a chegada da última geração de testes rápidos no País. O Fleury, por exemplo, tem o aparelho há três meses, da empresa americana de tecnologia Quidel. A BD, também americana, acaba de receber a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para lançar no mercado seu kit, o Directigen Flu A + B. O kit da BD já foi vendido para governos e instituições particulares nos Estados Unidos, Europa, China e O preço médio de cada um é US$ 15. Atualmente, o teste mais comum para identificar os vírus da gripe é feito com microscópios (imunofluorescência) e o resultado sai em uma hora.
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