Promover a saúde e bem- estar dos animais de estimação é tarefa que o veterinário João Emílio Cruz encara como um sacerdócio. Dos seus 66 anos de idade, 32 foram dedicados à profissão. Não tira férias. Trabalha sábados, domingos e feriados. E se levanta no meio da madrugada para atender qualquer bichano que necessite dos seus socorros. O prazer de cuidar dos animaizinhos é tão grande, que há meses adia os planos de se aposentar.
 A paixão do veterinário joão emílio pelos animais surgiu ainda na infância quando viu seu cão morrer sem assistência. Foto: Simone Ventura/especial para o diario. | A paixão pela veterinária vem da infância. Nascido em 1939, em Teresina, capital do Piauí, conviveu desde pequeno com os animais que eram criados pelos seus pais, porém sempre foi mais apegado aos cães e gatos. Inclusive, a perda de um dos cachorrinhos influenciou a escolha da profissão e da sua especialidade. "Eu tinha dez anos de idade e vi o Juqueri morrer sem nenhuma assistência. Não era por falta de recursos da minha família, mas porque nessa época não havia tratamentos para animais de estimação".
Entretanto, demorou a cursar a tão sonhada faculdade de veterinária. Poucos sabem, mas o doutor João Emílio serviu desde os 18 anos ao Exército, do qual saiu há quinze anos, com a patente de capitão. E por conta da carreira militar precisou se mudar várias vezes. Em 60, foi para o Rio de Janeiro. Lá chegou até a fazer um curso técnico em laboratório de farmácia, na Escola de Saúde do Exército, mas precisou ser transferido para o Rio Grande do Sul, em 1962. Só em 66 é que pôde ingressar na Escola Superior de Agronomia e Veterinária do Paraná. Ainda assim, o último ano de faculdade precisou ser concluído em Fortaleza, na Universidade Estadual do Ceará, formando-se em 72.
Em uma dessas transferências, João Emílio veio parar em Pernambuco, em 73, onde vive como cidadão olindense até hoje. Nessa cidade, o veterinário começou a exercer a sua profissão. Foi um dos primeiros a montar um consultório voltado para a linha pet no Grande Recife, pois quase 25 anos depois da morte do seu cachorrinho, ainda havia poucos profissionais que se dedicavam a essa área. "Quando cheguei havia duas, três clínicas para cães e gatos. Até 1970, as universidades só formavam técnicos para o ramo de produção de alimentos", conta.
O veterinário ainda lembra que a população também não estava habituada a dar cuidados especiais aos animais de estimação. "A maior parte dos casos que atendia era de raiva, que não tinha cura. Os primeiros veterinários foram agentes de mudanças, tentando conscientizar às pessoas de que era preciso prevenir doenças".
Tentando suprir a carência de uma formação específica, João Emílio foi um dos responsáveis pela criação da unidade local da Associação Nacional dos Clínicos Veterinários de Pequenos Animais (Anclivepa), entidade que promovia cursos de reciclagem nessa área. Outra marca é o pioneirismo nos serviços de radiologia. "Comprei um aparelho de raio-x e aprendi sozinho através de livros".
"Pai" de 35 cães, uma gata e três filhos - entre eles a também veterinária Andréa Cruz - João Emílio é um dos veterinários mais respeitados do estado. Sócio-fundador e membro da Academia Pernambucana de Medicina Veterinária, criada em 2001. E de quebra um dos agraciados com o Prêmio Wanderley Braga, oferecido pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária aos profissionais que se destacam.
Mas para ele o mais importante é o reconhecimento dos proprietários dos bichanos. "Fiz muitos amigos na minha profissão. É gratificante levar alegria às pessoas cuidando da saúde dos animais que são seus companheiros".
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