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Edição de Quinta-Feira, 24 de Novembro de 2005 
Economia | Decisão do BC é criticada
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ECONOMIA
Decisão do BC é criticada
São Paulo e Brasília - O corte de 0,5 ponto percentual anunciado ontem pelo Banco Central decepcionou o setor produtivo e parece não ter sido suficiente para melhorar o ânimo dos empresários. O discurso de representantes do varejo e da indústria é consensual: o BC deveria ter ousado mais.

  Para Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), existe um "imenso fosso entre o pensamento do Banco Central e a filosofia dos setores produtivos". O diretor do departamento de economia do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Boris Tabacof, concorda. "As decisões do Copom, sempre tomadas em terreno seguro, guardam pouca ou quase nenhuma relação com o lado real da economia", argumentou.

  A principal queixa dos industriais é que o aperto da política monetária já causa desaceleração no desempenho da indústria. Dados recentes do setor mostram queda do nível de atividade industrial. Os sindicalistas também não poupam críticas.

  A CUT, em nota, insiste que juros altíssimos atrapalham a geração de empregos. Antônio Carlos dos Reis, presidente da CGT, disse que "os juros altos dificultam investimentos em energia elétrica, ampliando risco de apagão". Já para Paulo Pereira da Silva, da Força Sindical, o "Copom tem ministrado o remédio para a economia brasileira gota por gota, quando é preciso de doses bem maiores".

  A queda taxa de juros básica da economia em 0,5 ponto percentual foi influenciada pelo clima turbulento que envolve o governo, disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). Ele afirmou que a redução modesta "é reflexo da crise política e da situação do ministro Antonio Palocci".

  Essa opinião é compartilhada por um colaborador próximo da equipe econômica, o deputado Delfim Netto (PMDB-SP). Antes da reunião, ele afirmava que o Copom deveria cortar a taxa em um ponto porcentual em novembro e também em dezembro.

  O líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), afirmou que aplaudiria a decisão do Copom se ela tivesse vindo quatro meses antes. "Este governo, definitivamente, está sempre atrasado", disse.

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