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Edição de Terça-Feira, 8 de Novembro de 2005 
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Opinião
Opinião
Bush e Lula
Do pouco que vazou do recente encontro dos presidentes George W. Bush e Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, está de pé a impressão de que os dois dignitários souberam melhorar com gentilezas as relações políticas e econômicas entre os países que governam. Se divergências profundas sobraram, o cavalheirismo de ambos governantes não deixou ver, nem suspeitar.

  Na medida em que o Brasil ganha espaços na economia mundial - ainda que sejam tímidos espaços -, é natural que aflorem no domínio das disputas comerciais as divergências mais teimosas. O Brasil desencabulou do receio por assim dizer histórico de contrariar a grande potência. Hoje a enfrenta nos altos pretórios internacionais, sendo os conflitos na Organização Mundial do Comércio (OMC) os que têm alcançado maior ressonância. Vezes consecutivas, os Estados Unidos têm sido derrotados pelo Brasil naquele importante foro onde veio a questionar o pretenso direito da grande potência, ou de qualquer outra, de estabelecer subsídios internos para a proteçãode produtores e produtos baixamente competitivos em relação aos brasileiros. Em primeiro lugar foi a gasolina, depois, o açúcar e, recentemente, o algodão. Se o país prova o prejuízo, porque o outro subsidiou, fica com o direito de retaliar legalmente tanto por tanto. Em nenhum caso, o Brasil perdeu a contenda, desta sorte acumulando alguns bilhões de dólares - bilhões - a retaliar contra produtores e produtos dos Estados Unidos.

  Os norte-americanos alegam que não podem isoladamente cortar os subsídios, só o devendo fazer caso a União Européia se desfaça dos seus. É a verdade ianque, sem dúvida, porque retirar os subsídios sem que simultaneamente o faça a Europa, significa entregar os trunfos do mercado aos principais concorrentes. Como o Brasil não pode por sua vez esperar que se resolva a enorme pendência entre os dois colossos, os Estados Unidos e a União Européia, passa a defender os respectivos direitos no foro especializado que é a Organização Mundial do Comércio (OMC).

  No encontro de Brasília, os presidentes se teriam comprometido a pressionar, juntos, a União Européia, no sentido de que retire parte substancial dos subsídios agrícolas continentais, para que então avancem as negociações trilaterais que perseguem a inquietante distorção dos princípios da independência dos comércios.

  Outro aspecto para a aparente jovialidade com que ambos dirigentes se encontraram reside no fato de que o Brasil, para satisfação dos Estados Unidos, não aderiu à tese radical arvorada pelo presidente venezuelano Hugo Chávez de declarar nati-morta a Alca, a Associação de Livre Comércio das Américas. Até que a entidade poderá deixar de sair do papel, tudo é possível, mas a diplomacia brasileira é reconhecida, mundialmente, como praticante de políticas viáveis dissociadas de chavões amadorísticos apenas cabíveis na lexicologia dos grupos radicais latino-americanos.

  Ao pleitear um assento permanente no Conselho de Seguranças das Nações Unidas, o país ficou mais ainda comprometido com a adoção daquelas políticas equilibradas que têm feito a fama da Casa de Rio Branco. Um e outro cochilo são toleráveis, mas uma guinada de comportamento que assuste os diferentes parceiros do hemisfério e do mundo não se pode esperar da Chancelaria brasileira. Nisto Bush e Lula estão de inteiro acordo.


Novos tipos florescem na lama nacional

Arnaldo Jabor
JORNALISTA

A crise que o PT provocou no país é um grave assalto à nossa saúde mental - não quer acabar com a democracia apenas, quer implantar aqui o "double think" do "1984", em que "amor" quer dizer "ódio", "guerra" quer dizer "paz", "verdade" quer dizer "mentira".

  A crise é uma gripe de aves de rapina, uma epidemia psicológica que nos muda a cada dia, que nos transforma em tipos originais, mutantes como sobreviventes de radiação nuclear e modifica tradicionais instituições. A paisagem nacional se transformou num filme de terror, em um "apavorante mundo novo" em que ficamos irreais, inatuais. Acordamos de um sonho para viver um pesadelo. As tentativas de reflexão crítica, de apelos à razão se esboroam contra o muro de mentiras e negações. Por isso, me contento em fazer a lista das mutações de homens e coisas que fazem nossa história andar para trás. Vejamos:

  Revolucionários corruptos - Militantes que são um cruzamento de Lenin com ladrão de galinha. Ex-Corrupto revolucionário - Bob Jefferson, o Ali Babá que denunciou os 40 ladrões e mostrou-nos pela primeira vez os intestinos do país. Torresmo com cabelo - delicada expressão trazida por Henrique Pizzolato, que reaparece agora como o próprio torresmo cabeludo que o PT vai ter de comer. Malandro-agulha - tradicional apelido carioca daqueles que tomam no buraco, mas não perdem a linha. Eleitores que continuam acreditando. Falsos otários - Corruptos que pegaram mensalão sem saber o que havia no envelope. Nem abriram, coitados. Popozudas do Congresso - Karinas e Camillas...até agora as únicas verdades nuas comprovadas nas CPIs. Assassinos do Povo - os homens que mataram o Celso Daniel, no louvável intuito de esconder roubos "revolucionários" e assim proteger o "bem dos pobres" (e do PT). Prefeito suicida - Segundo a defesa do caso, a angústia existencial pode ter causado o suicídio de Celso Daniel. Assassino aposentado - Juiz do Ceará que mata ao vivo e a cores o caixeiro pobre e ganha aposentadoria de 15 mil. Guerrilheiro aposentado - Genoino, que agora vai ter de trabalhar, pois só ganha R$ 8 mil de aposentadoria. Severino aposentado - O homem que vivia de quentinhas e de gorgetas do botequim do Congresso e que agora tem também R$ 8 mil. Banca do Brasil - o novo nome de nosso banco estatal que paga a DNA sem contrato e antes do serviço. Bancos do amor - bancos que emprestam US$ 20 milhões de dolares sem aval, sem motivo, e que não cobram a dívida. Bancos de esquerda - Amam o socialismo e emprestam dinheiro para financiar a futura revolução de Dirceu. Câncer de esquerda e soja de direita - Produtos derivados do aparelhamento do PT no Estado, no Instituto do Câncer e no meio ambiente. Torturados numa boa - Gente que levou umas porradas na ditadura (ou não levou nada) e que agora ganha pensão da União. Juízes do amor - Magistrados que se emocionam com a tristeza dos condenados de elite e que choram ao vê-los em cana, junto com o povão sujo que morre de tuberculose na prisão. Cínicos sinceros - choram em depoimentos. Cínicos felizes - riem em depoimentos. Homem da cueca - Nova forma de transporte de valores. Tambem conhecida como CC5 do "catso". Ou "carajo", como diz o Hugo Chavez, líder dos intelectuais de esquerda que não piam mais, escondidinhos na Academia.

  Fazendeiros do ar - As fazendas imaginárias dadas em garantia pelo Romero Jucá. Quem lembra ainda dele? Semelhantes à sede imaginária da Garanhuns empreendimentos. Nome talvez dado em homenagem a terra natal de Lula... Os homens do Não - Só sabem negar. Nunca ninguém fez nada. Tudo que eles "não dizem" é a verdade. Para descobrir os fios da meada, é só virar seus depoimentos ao avêsso. Filhotes de Gushiken - Publicitários do barulho que são de inteira confiança do governo. Recebem antes e nem precisam fazer as campanhas. Rum Fidel Carta Oro - Meia dúzia de garrafas do melhor rum que Cuba mandou de avião para o PT. Cada garrafa custa 500 mil dólares. Doublê de corpo - O clone do Roberto Marques, assessor do Dirceu que pegou o dinheiro do Rural. Tem o mesmo nome, é igual, mas não é ele. E não se fala mais nisso. Testemunhas mortas por aftosa - As sete testemunhas do sequestro de Celso Daniel. Pegaram febre aftosa na churrascaria onde Sombra jantou com Celso. Stalinistas chiques - Militantes intelectuais como Tarso Genro que fala em "bloco historico", em Gramsci e acaba topando todas as ordens do Berzoini, o leão de chacara do Dirceu.

  Bode expiatorio feliz - Delúbio, o gênio que fez tudo sozinho, discreto, sem que seus chefes soubessem de nada. Está realizado como mártir do stalinismo. Morre pelos chefes. Denuncistas irresponsáveis - Segundo Lula, todas as pessoas que contam verdades sobre os crimes políticos cometidos. Ex: os irmãos Daniel, Raquel de Goiás, Osmar Serraglio, Gustavo Fruet... Maluf milagroso - curado por N. S. do Líbano de crise gástrica, indo comer pastel com chope em Campos do Jordão... Filhinho das arábias - Flávio Maluf, que parece uma cruza de Woody Allen com quibe. Políticos teflon - Nada gruda neles. Ex: Garotinho e seu fiel Eduardo Cunha. Em breve, será absolvido pelo TER.

  Fundos sem fundos - Fundos depensão controlados pelo PT que gosta de investir em ações em baixa e papéis micados, para denunciar indiretamente o capitalismo selvagem... Homens pizza - apagam qualquer conflito, em nome da governabilidade. Homens-mozarela, homens-calabresa, homens margherita e homens-catupiry. Presidente-lula - muda de cor como as lulas, engorda, emagrece e vive escondido nos buracos fingindo que não conhece nem tubarões nem predadores. Cretinos fundamentais - Nós.


O maior programa

Leonardo Guimarães Neto
ECONOMISTA

Se alguém que nunca tivesse vindo ao nosso país - o extraterrestre de Spilberg, por exemplo - tivesse a curiosidade ou o interesse em confrontar os grandes problemas nacionais com as prioridades do governo federal, expressas pelos gastos públicos ou pelas aplicações dos créditos oficiais, ficaria estarrecido com o desencontro e contradições encontradas nessa comparação. Veria, inicialmente, com a visita às favelas e à periferia das grandes cidades, que existe um grande déficit habitacional, que, segundo as estimativas realizadas, alcançam a cifra de 5,9 milhões de moradias, das quais cerca de 2,5 milhões estão localizadas no Nordeste. Constataria a inexistência de qualquer programa substancial voltando para a construção de habitações, capaz de reduzir, no médio prazo, o déficit atual, sobretudo, para a população de baixa renda. Perceberia também que os minguados recursos previstos no orçamento ou no plano plurianual de investimentos são freqüentemente cortados, em nome do combate à inflação e de uma meta de superávit primário. Se o interesse do nosso visitante voltar-se para as condições de saneamento básico, constataria que existem no País aproximadamente 3,2 milhões de moradias urbanas sem banheiro, das quais 1,7 milhão estão na região e não são objetos programas que possam ser levados a sério.

  No que se refere às rodovias, a pesquisa recente da Confederação Nacional do Transporte informaria ao visitante que de um total de 81,9 mil quilômetros de estradas pesquisadas, apenas 28% poderiam ser classificados como em bom estado (13,9 mil quilômetros) e ótimo (9 mil quilômetros). No Nordeste do total de 23,9 mil quilômetros, cerca de 22,5 mil foram classificados com deficientes, ruins ou péssimos. Saberia também que, na região do agronegócio que tem contribuído significativamente para o crescimento da economia nacional através das exportações de grãos e carne, não fosse a crise e desaceleração ocorrida recentemente a infra-estrutura de transporte e armazenagem teria entrado em colapso. Também aqui seria fácil constatar que os recursos aprovados pelo Congresso para as rodovias não saem do papel e os anúncios do Poder Executivo não passam de retórica.

  A mesma constatação o nosso visitante faria se examinasse problemas como o do desemprego e subemprego, sobretudo o da população de 18 a 25 anos, sistematicamente rejeitada pelo mercado de trabalho, dado o reduzido crescimento da economia, a ausência de experiência dessa parcela de mão-de-obra e as exigências, por vezes descabidas, dos empregadores, num mercado de trabalho que lhes é favorável. Para constatar este fato não é necessário examinar as estatísticas oficiais ou do Dieese. É suficiente percorrer as ruas centrais de uma cidade como o Recife e observar a população de pedintes e vendedores nos sinais de trânsito. Neste caso, a política e as ações voltadas para a geração de emprego, de um governo saído de um partido dos trabalhadores, são irrelevantes.

  No entanto, o extraterrestre que nos visita ficaria estarrecido ao constatar que o maior programa do governo, quetem recursos seguros e não recebe cortes, está constituído pelo pagamento de juros aos grandes especuladores. Verificaria que tal programa, garantido pelo superávit primário, que retira recursos dos demais, e pelos juros altos que garante a alta remuneração dos aplicadores, constitui a grande prioridade do governo atual. Para que se tenha uma idéia, estima-se que o pagamento de juros neste ano chegará a R$ 124 bilhões e para o próximo ano cerca de R$ 178 bilhões. Além disso, está prevista diminuição dos gastos com os investimentos. Depois de ouvir do presidente e do ministro da fazenda a informação de que o país está no rumo certo, o extraterrestre providenciaria, certamente, retorno imediato ao seu planeta de origem.


Os picaretas...!

Luciano Pereira de Carvalho
ADVOGADO

A vitória do governo na eleição do novo presidente da Câmara, nos faz recordar declarações anteriores do presidente da República (sempre na época em que desempenhava uma raivosa oposição). Classificou de "picaretas", na época, seus colegas de Parlamento. E, ao assumir a Presidência da República, sob o manto do "conselheiro e orientador", José Dirceu, montou um esquema fraudulento, com dinheiro público, jamais visto no país. Isso com a intenção de usufruir do poder político da nação, durante os próximos 20 anos. Para tanto era necessário conseguir o vultoso suprimento para a "aventura da perpetuação".

  Depois de eleito, o seu partido tratou de recuperar a dinheirama que custeara a campanha e os futuros milhões para sustentar a empreitada. Descoberto o esquema de Waldomiro Diniz, assessor direto de José Dirceu e, tendo conseguido afastar o fantasma da CPI, cuidou-se de centralizar o "esquema" no publicitário Marcos Valério, mais sofisticado e alçando vôos muito mais audaciosos. Consciente de que havia na realidade bastantes picaretas no Parlamento, utilizou-os sem qualquer constrangimento, através do chamado "mensalão", denunciado por Roberto Jéferson, ao se sentir frustrado quando lhe prometeram R$ 20.000.000,00 e só lhe repassaram R$ 4.000.000,00.

  Com a denúncia vinda a público e ainda, com a frustração da tentativa para barrar a instalação da CPI dos Bingos, posteriormente determinada a sua instalação pela mais alta corte de Justiça do país, foi criada a estratégia do caixa dois nas campanhas do PT. E que era menos escandalosa para encobrir a manobra da compra de votos dos picaretas. Agora na eleição de Aldo Rebelo, a técnica foi repetida e, com a ajuda dos denunciados de receber o mensalão. Não se sabe a que ponto chegou "a negociação", além das verbas distribuídas às vésperas da citada eleição. O fato é que o governo Lula, conseguiu, mais uma vez, frustrar as expectativas do eleitorado brasileiro.

  E, pelo andar da carruagem, as CPIs em curso tendem a reproduzir o que houve na CPI do Banestado, quando ocinismo dos "picaretas", encerrou a Comissão de Inquérito sem apontar culpados. Nas de agora, toda a sociedade civil sabe que os empréstimos de Marcos Valério ao PT, voltavam para as suas empresas e com juros, em forma de contratos superfaturados celebrados com as estatais. Portanto, o dinheiro público foi utilizado indecorosamente pelo governo federal, para comprar votos na Câmara dos Deputados. Paralelamente a tudo isso, o Tribunal de Contas da União já considerou irregular a maioria dos contratos celebrados com estatais. Inclusive aquela que deu de presente ao então secretário-geral do PT, um veículo Land Hover, no valor de mais de R$ 70.000,00. E agora, o deputado José Dirceu, clama aos quatro ventos que é inocente, que não há provas contra si e ainda, porque "o PT não rouba, nem deixa roubar", introjetando como verdade absoluta, na consciência coletiva.

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