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Atualizado em 07|11|2005 
Guia de Profissões | Nas entrelinhas de um jornalista
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GUIA DE PROFISSÕES
Nas entrelinhas de um jornalista
Com apenas treze anos, Geneton Moraes Neto iniciou sua carreira no Diario de Pernambuco, colaborando com o caderno infantil
Mirella Falcão
Especial para o DIARIO
"Eu me prefiro por escrito", disse-me Geneton Moraes ao telefone. Difícil de acreditar, mas o autor de oito livros-reportagens, tão acostumado a arrancar declarações, não se sente à vontade na posição de entrevistado e preferiria escrever sobre si mesmo, do que falar. É quase impossível descrever o humor finíssimo com que ele trata questões do cotidiano nas redações, o "desfile das vaidades" dos jornalistas na "melhor profissão do mundo para quem não consegue ser outra coisa na vida".


mesmo com o cargo de editor-chefe do fantástico, geneton diz que Não deixa de fazer reportagens. Foto: Zé Paulo Cardeal/TV Globo .
  Tudo que fala é com conhecimento de causa. "Conheço bem a raça. Faço parte do canil", brinca. Esse pernambucano de 49 anos, já passou pelo Diario de Pernambuco, Estado de São Paulo, O Globo, foi correspondente internacional e está na TV Globo há mais de 20 anos, atualmente, como editor-chefe do programa Fantástico.

  Para quem imaginava encontrar o tom irônico dos seus textos autobiográficos (www.geneton.com.br), a primeira sensação depois da conversa ao telefone era a de que havia falado com outra pessoa. Tão simpático e conciso! O fato é que as duas versões - ao vivo e por escrito - de certa forma se complementam. Percebi que Geneton é apaixonado pelo que faz. E por isso, critica tanto o que faz para dar sempre o melhor de si.

  A difícil rotina no jornalismo nunca é desculpa para um texto ruim. O comprometimento com o leitor/telespectador/ouvinte deve estar em primeiro lugar. "Não podemos perder a capacidade de se espantar diante dos fatos. Virar um entediado é um pecado mortal do jornalista. É preciso se esforçar desde o momento em que se acorda para escrever de uma maneira atraente e não fazer da profissão algo chato para o leitor".

  Geneton descobriu isso muito cedo. Embora afirme que a sua vocação é quase um mistério, "pois não havia nenhuma razão para se tornar jornalista", desde os 13 anos colaborava com o caderno infantil "Junior" do Diario de Pernambuco. Aos dezesseis, já trabalhava no Diario, antes mesmo de ingressar na faculdade de jornalismo da Unicap.

  Foi no Diario de Pernambuco que aprendeu as primeiras liçõesdo "bom" jornalismo. "Nunca acreditar apenas na versão oficial. No primeiro ano no jornal, na editoria Geral (hoje Vida Urbana), o meu chefe me mandou fazer uma reportagem no Hospital da Tamarineira. Eu pulei o muro e me misturei entre os internos, que reclamavam muito da comida. Quando entrei novamente, recebido pela direção, só faltaram dizer que aquilo era um hotel cinco estrelas", relembra.

  Outra história engraçada é com relação aos anos da ditadura. "Não fui preso ou torturado, mas vivi a paranóia dessa época. Eu tinha apenas 17 anos e a Polícia Federal montou quase uma operação para me pegar por conta de umas reticências. A graça é que eu não estava no jornal e João Alberto, que era o meu editor, acabou indo no meu lugar prestar depoimento".

  Depois de três anos no Diario, foi para a sucursal do Estadão no Recife, onde ficou de 75 a 80. Em 81, depois de passar alguns meses morando em Paris para estudar cinema, Geneton foi contratado pela Globo Nordeste, como repórter, e em seguida como editor.

  "Como milhões de nordestinos atraídos pelo Sul Maravilha, pela lei da gravidade, terminei caindo no Rio de Janeiro". Assim, desde 85, trabalha na Globo/Rio. Já foi editor do Jornal da Globo, do Jornal Nacional, foi correspondente internacional em Londres, entre 95 e 98, e desde 98 é editor-chefe do Fantástico. Mesmo estando há mais de 20 anos fora do Recife, Geneton não perde o sotaque. "Seria uma caricatura se eu começasse a falar como paulista ou carioca".

  Não deixa o posto de repórter, mesmo tendo cargo de editor-chefe. "Não posso deixar de fazer reportagens. Não me interessa ficar tratando informações de segunda mão. Eu gosto de ir para a rua porque me dá a chance de encontrar coisas que, se eu ficasse trancado numa redação, não veria. Também corro atrás de informações que o público não conhecia. É nesse momento que acho que vale a pena ser jornalista".

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