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Abrindo o apê na ausência dos pais
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Festinhas privadas, na intimidade e segurança do lar, é sem dúvida um ótimo programa; o problema é quando a produção é "independente" e algo sai errado |
Rafael Dias Especial para o DIARIO |
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O anseio das tribos jovens se agruparem e criarem elos entre si faz parte da própria natureza humana. As festas entre amigos talvez sejam a forma maior de congraçamento e celebração de grupos que estão começando a desenvolver seus laços sociais. Por isso, não é de se estranhar que sejam cada mais freqüentes as reuniões feitas no aconchego de casa, onde é possível fazer aquela bagunça sadia e curtir uma festinha privada (com segurança) junto às pessoas mais chegadas. O problema é quando, no calor da animação, algo sai fora do script. Na hora, rola aquela tensão dos pais descobrirem a "sujeira". Depois, o episódio entra para a coleção de histórias engraçadas, dignas de um filme pastelão.
 Caetano fez fama com os encontros temáticos que promovia em casa, às vezes até com banda de rock instalada na sala de estar. Foto: Alexandre Gondim. | Há desde fatos, digamos, previsíveis até os escatológicos, envolvendo algum convidado que paga o maior mico em frente aos amigos. A estudante Enila Souto lembra da vez que organizou uma festinha para comemorar o aniversário de uma amiga. O seu apê, claro, foi o espaço de confraternização. Aproveitando que o pai estava em viagem, ela decidiu juntar a turma - detalhe, a maioria metaleiros. Resultado: bagunça heavy metal. "Tinha um amigo da gente que misturou, no liqüidificador, vodka, vinho e leite moça. É claro que isso só podia dar em vômito. No primeiro engulho, ele correu para a área de serviço e melou as roupas dos vizinhos de baixo", recorda. "De manhã cedo, uma galera ainda queria enfiar o meu papagaio de estimação em um caldeirão de água quente para comê-lo", conta, às gargalhadas.
 Carolina lembra do amigo que dormiu na varanda abraçado com o gato e acordou na cama do irmão dela, mas a mãe não reclamava. Foto: Simone Ventura/Especial para o DIARIO. | O clima de rock'n'roll também embalava as festinhas no antigo apartamento do estudante Caetano Souto Maior, 21. Após a viagem dos pais, que foram morar no Rio de Janeiro, o jovem, na época com 19 anos, abriu as portas do seu apê para fazer festinhas temáticas. As reuniões passaram a ser tão constantes que o local ganhou um apelido irônico: EsculhamBAR. "Na primeira festa, eu chamava só os mais conhecidos. Depois foi crescendo, chegando gente que eu nem conhecia", conta. Caetano lembra que já chegou a organizar um show de banda de rock no minúsculo espaço da sala de estar. "Um amigo nosso já tinha ido embora, mas voltou porque estava passando mal. Ele errou de entrada e foi parar na casa do vizinho, que havia esquecido de trancar a porta. Ele vomitou na sala. Soubemos e limpamos rapidamente".
Quem também fazia as vezes de anfitriã era a estudante Carolina Senna, 20. Sua casa funcionava como um QG da turma no primeiro ano da faculdade. "Ficava mais ou menos perto da universidade e também queria ajudar a integrar o pessoal, colocando a casa à disposição", justifica. A mãe dela, muitas vezes, ajudava na preparação de ponches para regar as festas. "Cresci em um ambiente de casa cheia. Ela sempre deu apoio", diz. Mas ela complementa que nunca passou por uma situação que resultasse em danos materiais. "O mais engraçado foi quando um amigo nosso dormiu na varanda abraçado com o gato. Mais tarde, ele havia sumido. Quando o achamos, ele estava dormindo ao lado do meu irmão, na cama", ri.
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