O músico Silvério Pessoa atraiu amigos, familiares e o público que acompanha sua carreira para o glamouroso Teatro Santa Isabel, na última sexta-feira, na estréia do seu show Cabeça Elétrica Coração Acústico, que teve mais uma apresentação no sábado. Para quem ainda não tinha percebido no que se transformou Silvério ao longo de vários projetos que moldaram sua estética (Jackson do Pandeiro, Jacinto Silva e Capiba), percebeu no show o conceito do músico. Silvério assume totalmente os valores simbólicos da Zona da Mata. É como se trouxesse todas as informações que guardou desde a infância para as músicas. O faz de maneira simples, e romântica até certo ponto, como tendem a fazer os artistas da região. Com uma diferença que se torna o referencial do seu trabalho: a utilização de recursos eletrônicos que fazem a conexão com o futuro tecnológico e fantástico, também cantado pelo compositor.
Silvério sai do chão de terra batido e vai pro universo das estrelas o tempo todo, nas canções do novo CD, que originou oshow e gerou imagens para o seu primeiro aqui DVD no Brasil (no seu último show em solo francês, gravou DVD da despedida do show Bate o Mancá). Diferente deste show que mostra em solo europeu, o show de Cabeça Elétrica é menos dançante e mais elaborado de arranjos e texturas eletrônicas. A banda que acompanha Silvério é responsável por uma cozinha incrementada, sobretudo pela diversidade de ritmos impostos pela bateria e set percussivo. Silvério também tem seu próprio instrumento, um KP2, que filtra sua voz e através de comandos produz uma série de ruídos eletrônicos, entre outras funções.
Há também a utilização de samplers, que preenchem os espaços entre uma canção e outra. E assim, entre o elétrico e o acústico, Silvério planta sua bandeira. Mas mesmo tendo rodado palcos e festivais importantes mundo afora, na sua estréia recifense, Silvério estava um pouco nervoso. Bebeu somente água durante o espetáculo, mas soltou-se ao longo do show e despediu-se sobre aplausos calorosos. (Michelle de Assumpção)
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