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Edição de Segunda-Feira, 7 de Novembro de 2005 
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Relações Diárias
Profissional do afeto
Cláudia Molina
e-mail:
mariaclaudiamolina@hotmail.com
Administrar uma relação duradoura é como matar um touro por dia, porque requer tanto esforço quanto uma carreira vitoriosa. Amor, sexo e filhos não garantem uma boa posição no ranking dos relacionamentos bem sucedidos. Para manter a motivação na saúde ou na doença, é preciso muito investimento no casamento. No pain, no gain, diz o ditado inglês. Traduzindo: sem esforço não há recompensa. O crescimento do casal depende da performance individual no campeonato pela transposição das dificuldades cotidianas. O perfil vencedor para enfrentar as inevitáveis crises conjugais demanda qualidades como persistência, coragem e principalmente foco no projeto familiar.

  Ter disposição para o jogo de cintura evita o bambolê defensivo de quem reage a qualquer comentário negativo com desculpas esfarrapadas. Não admitir os erros provoca um efeito dominó tão grande, que acaba se enxergando o outro pelo pior prisma. A comunicação baseada na quebra-de-braço sarcástica leva ao afastamento emocional, gerando a falta de tesão e avontade de estar com os amigos, bem longe do cônjuge. Quando a relação atinge este grau de desprezo, o diálogo é substituído pelo arranca-rabo até causar o desinteresse pelo que o outro diz ou pensa, culminando numa possível traição, cujo dividendo costuma ser a separação.

  Trocar o "eu" pelo "nós" exige resiliência, que é a capacidade de se recuperar rapidamente após um choque, mesmo de opiniões. Solicita inteligência emocional para que uma decepção não desencadeie o impulso de atacar a personalidade e as crenças do outro, fomentando o desamor. Pede flexibilidade para conciliar a casa e os filhos com a vida profissional, não deixando que o acúmulo de funções delete o romantismo da união. É importante o domínio da arte de ouvir e de concordar, para que a necessidade de criticar seja minimizada. Juntar as escovas de dente é fácil, mas o tempo pode cultivar na parceria uma tamanha zona de conforto, que os pequenos agrados desaparecem, assim como as surpresas que ocorriam na época do namoro.

  Empreender na longa convivência significa não esquecer de elogiar e paparicar quem coexiste. Um verdadeiro profissional do afeto admite que cumplicidade é uma construção diária e que são normais as alterações na sociedade com o passar dos anos. Entretanto, para que não vá à bancarrota, torna-se necessário acompanhar com otimismo as mudanças, para que cada fase seja um recomeço e não uma ruptura.

  Não existe fórmula infalível para o sucesso amoroso, mas nesta trajetória, o empenho para recriar a rotina é fundamental. Economia de atenção leva ao déficit de companheirismo. Para não inflacionar a solidão a dois é melhor aumentar a dedicação, para que um superávit de carinho contabilize estabilidade e altos índices de felicidade.

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