Abro as mãos (assim como um leque colorido) e esse gesto poderia parecer, a outras pessoas, sinal de stop. Mas, não o é. O que desejo mesmo é abrir, em minhas mãos, neste sétimo dia de novembro/05, cinco caminhos diferentes. Ora, direis leitor(a), e o que teria a ver o amarelo (do jerimum) com o azul (da violeta)?
Quero cinco - não menos que isto - novos caminhos que se abram à controvertida pessoa que é... a minha mão direita (independentemente da minha pessoa, sou outro, além do território das minhas mãos...).
Admito que muitos leitores não entendam minha mensagem, metafísica, poética, aérea, como afirmam algumas pessoas. Outras, não, entendem-me, mandam-me cartas, usam internet; ou telefonam: "Você hoje está inteiramente maluco, com o que escreveu. Mas gostei de sua maluquice!". E isto me basta; e agrada.
Basta-me tanto quanto, por exemplo, o início desta crônica: o gesto de abrir as mãos, fazendo-as leques para o doce aceno daquilo que adivinho esteja por trás das coisas que outras pessoas, maisrealistas e com os chamados pés-no-chão, conseguem ver.
Pois abro as mãos, como quem também move uma janela para ver, lá fora, o que existe: o nada. Ou ou tudo: a manhã que nasce, no ensangüntado útero do horizonte (o Sol, placenta dos dias).
Seriam, estes novos cinco caminhos abertos em mãos, veredas de paz? Repito aqui palavras de santa Tereza de Jesus: "Deus nos livre de muitos gêneros de paz que há entre os mundanos. Nunca nos permita Deus provar tal amizade, que vai parar em perpétuas guerras".
Insisto: devo efetuar, nesta segunda segunda-feira de novembro/05, o gesto de abrir as mãos, em forma de teatral leque humano. Acenar a todos os que por mim passam, olhando-me (ou não) amando-me (?) ou me postergando, identificando-se comigo ou repelindo. Que importa isto, se estou a movimentar as mãos? Em forma de leque teatral, sim, como cinco caminhos (os dedos das mãos...).
Abro, sim, as mãos e, apesar de um gesto puramente pessoal (e intransferível) tem muito daquele outro. Do lavrador, por exemplo, que espalha, sobre a terra, a semente e aguardará, na próxima colheita, o fruto maduro para degustar. Ou vender. Só que eu, ao abrir as mãos, irei colher as mensagens dos amanhãs, que (re)nascerão nos meus novos caminhos.
Tenho pressa, nesse meu inusitado gesto palmar. É possível que, amanhã, sem mais energia, inerte e escasso de palavras, não possa anunciar, aos quatro cantos do mundo, que sou, intempestivamente, eu mesmo.
Waldimir Maia Leite é membro da Academia Pernambucana de Letras
|