A data de hoje assinala a passagem dos 180 anos da fundação do Diario de Pernambuco constituída, pelo transcurso do tempo, numa data do calendário histórico do Brasil. Em vão se achará, na crônica de outros estados federados, uma inserção assim tão íntima e forte quanto a que se registra em Pernambuco entre o jornal venerando da América Latina e o meio onde lhe coube atuar desde o nascedouro. O dever da síntese determinará repetir com mais força hoje do que antes que inexistiu causa pública de interesse maior de Pernambuco e sua gente, nestes quase duzentos anos passados, que não tenha contado, de pronto, com o apoio e a defesa cheios de ardor deste jornal.
A obra instaurada por Antonino José de Miranda Falcão, em 1825, iniciou modesta como simples porta-voz para compras e vendas nas transações da época - os lotes de azeite chegados de além mar, os açúcares produzidos nos ricos engenhos da Zona da Mata, o horário dos navios costeiros e de outros cursos, o aluguel de portas comerciais e de sobrados "chics"que se iam disseminando pelos bairros da cidade em crescimento -, passando, no terceiro ano de circulação em diante, a oferecer à apreciação do público temas ainda mais abrangentes do quotidiano citadino, a exemplo do noticiário que hoje chamamos de "noticiário político".
Daí desse ponto, veio a inspiração maior, porque o jornal logo pendeu para a escolha do debate das idéias na conformidade daquilo que lhe permitiam as circunstâncias de tempo e lugar. As eleições batizadas de "gerais", por exemplo, não eram tão generalizadas o quanto leva a crer o léxico, nem tão estremes de imperfeições ou, dizendo melhor, de partidarismo e abusos do poder. Em 25 de março de 1876, cinqüenta e um anos depois da fundação do Diario de Pernambuco, gesto democrático do imperador Pedro II, em carta à filha Isabel, declarou que "o meu grande empenho é a liberdade das eleições", o que significa que na vigência do parlamentarismo monárquico recebeu a obra de Antonino José de Miranda Falcão o estímulo para continuar na lida democrática e nunca afastar-se desse caminho.
Noutros 7 de novembro temos tido a oportunidade de falar da resistência do jornal às ditaduras e toda forma de governo posto em desarmonia com a liberdade e a fruição, pelo povo, de uma atmosfera política onde os direitos fundamentais da pessoa humana possam prevalecer acima de qualquer caprichoso voluntarismo do Poder. Foi por exemplo quando as paredes do Diario se transformaram em muralhas para a resistência às frechadas expelidas pelos déspotas de plantão. Tivemos, aí, vítimas tombadas dentro de casa, tivemos o empastelamento do jornal, para que, fiel à herança de quantos episódios lamentáveis, mas gloriosos, não divulgássemos a notória circunstância dos tiroteios policiais intimidativos que sofremos para calar os fatos na inteireza necessária e relacionar em caixa alta o nome dos vilões provincianos da democracia.
Se, hoje, o eleitor sabe o que é votar sem medo de voltar para casa, cumprido o dever cívico na atmosfera da lidima liberdade, em parte deve-o ao Diario e aos sangues que escorreram pelos corredores do prédio histórico da Pracinha. Nos seus 180 anos de idade, não poderia o jornal deixar esquecido o rico pecúlio dessas peripécias culminantes, certo de que, parodiando o legionário Pompeu, navegar é preciso, e mais que navegar, guardar os preceitos democráticos é preciso.
Se, hoje, o eleitor sabe o que é votar sem medo de voltar para casa, em parte deve-o ao Diario e aos sangues que escorreram pelo prédio histórico
Frases
Uma CPI mexe com uma série de interesses, com muita gente. Mas certamente é alguém que quer diminuir a força do relator dentro da CPI. Osmar Serraglio (PMDB-PR), relator da CPI dos Correios, sobre suspeitas de grampeamento dos telefones de deputados e senadores
Pernambuco possui animais com qualidade genética que não deixam nada a dever a outros estados do Brasil. Mário Borba, presidente da Sociedade Nordestina de Criadores, sobre o rebanho bovino em Pernambuco
Os EUA olham para outro lado. Os americanos estão dando prioridade ao combate ao terrorismo, deixando a América Latina num segundo plano. Sérgio Berenztein, cientista político da Universidade Torcuato Di Tella, durante a realização do encontro de cúpula das Américas, na Argentina
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