íclotron. O nome é estranho, mas você ainda vai ouvir falar muito dele. Principalmente depois que Pernambuco se tornar o primeiro estado nordestino e o terceiro do país a ter um equipamento assim. O cíclotron é um acelerador de partículas nucleares subatômicas, utilizado na produção de radiofármacos para o diagnóstico precoce de vários tipos de câncer e doenças cardíacas e neurológicas. Será instalado no Centro Regional de Ciências Nucleares (CRCN), na Cidade Universitária. Quando estiver em operação, poderá atender hospitais e clínicas em todo Norte e Nordeste.
 Prédios do CRCN ocupam uma área de oito hectares. Trabalhos dos pesquisadores são realizados em três laboratórios | A licitação para aquisição do cíclotron e montagem da unidade de produção de radiofármacos do CRCN está em curso. O investimento é de R$ 12 milhões. A previsão é de que o contrato seja assinado ainda neste mês de novembro e a construção comece até o final do ano, para que o equipamento entre em operação em outubro de 2006. Os radiofármacos são usados nos chamados tomógrafos PET. Existem hoje apenas seis desses aparelhos em operação no Brasil (quatroem São Paulo e dois no Rio de Janeiro). Isso porque só podem ser adquiridos por hospitais que funcionem em áreas próximas ao cíclotron.
O responsável pela implantação da unidade de radiofármacos do CRCN, Sérgio Cabral, conta que um tomógrafo PET pode chegar a custar até US$ 2,5 milhões (R$ 5,75 milhões). Apesar do preço, ele diz que hospitais particulares do Recife e de outras capitais do Norte e Nordeste já demonstraram interesse em adquirir o equipamento. A produção de radiofármacos na unidade do CRCN poderá atender até 30 tomógrafos na região. "Há estudos no Ministério da Saúde para que o SUS passe a custear esse exame. Certamente os hospitais começarão a se equipar com mais intensidade", diz Cabral.
Ele explica a diferença entre os exames tradicionalmente feitos no país (ressonância magnética, tomografia comum, ultrassom e raios X) e uma tomografia PET. Enquanto os primeiros dão informações sobre a estrutura do órgão, o PET mostra o metabolismo dele. É importante porque há muitos danos que não afetamas formas de um órgão e, por isso, não são diagnosticados em um exame tradicional. Ao utilizar o diagnóstico PET, a pessoa deixa de fazer vários exames invasivos, como a biópsia, procedimento que pode trazer riscos ao paciente.
O cíclotron é apontado como a estrela do CRCN. Mas a importância do Centro para o estado não se limita à instalação do equipamento. O CRCN é o primeiro centro de pesquisas nucleares fora do Sudeste. As novas instalações foram inauguradas no final de julho. Os investimentos chegaram a R$ 40 milhões, entre construção e aquisição de equipamentos. O complexo tem nove prédios que ocupam oito hectares no campus da UFPE. Os trabalhos são desenvolvidos por três laboratórios: metrologia, caracterização química e análises ambientais, e dosimetria e radioproteção. O CRCN conta com 65 profissionais, 25 estagiários e mais de 30 terceirizados. "Quando estiver tudo funcionando, vamos precisar de 200 pessoas", prevê o diretor do CRCN, Ricardo de Andrade Lima.
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