Há dois anos, a engenheira de pesca Noêmia Siqueira decidiu aplicar um dinheiro extra na poupança. A quantia não foi muito grande, mas está crescendo com o tempo. O que vai ser feito com o dinheiro ela ainda não definiu, talvez compre um carro ou uma casa. A decisão de Noêmia foi tomada com o propósito de fugir da desvalorização da moeda, como fazem vários outros brasileiros. Mas a verdade é que a mais conhecida das aplicações não está tão bem cotada entre os consultores financeiros. A baixa rentabilidade em relação a outras possibilidades de investimento desestimulam principalmente os que procuram retornos mais rápidos. Para esclarecer algumas dúvidas de novos e até mesmo antigos investidores vale a pena lembrar vantagens e desvantagens dessa que é umas das mais antigas e utilizadas aplicações do sistema financeiro.
Para o consultor da Finacap Aristides Cavalcanti, colocar dinheiro na poupança, hoje em dia, é um péssimo negócio. "Apesar da aplicação ser totalmente segura, o retorno praticamente não existe", afirma Cavalcanti. Ele revela que há algum tempo não indica a poupança a nenhum de seus clientes. Quem faz a aplicação hoje tem uma rentabilidade de 0,7% a 0,8%, ao mês, o que significa cerca de 6% mais TR (Taxa Referencial), ao ano. Um número situado pouco acima da meta de inflação para 2006, que gira em torno de 5%. No entanto, o consultor ressalta que o melhor investimento depende sempre do perfil e propósitos de cada interessado.
Pode ter sido justamente por esse motivo que Noêmia decidiu guardar seu dinheiro em um fundo tido como ultrapassado. "Não quero correr riscos. A poupança me garante segurança e resgate a qualquer momento", observa. A liberdade de movimentação da reserva é uma das vantagem observadas pelo economista Roberto Ferreira. Ao contrário do que pensa Aristides Cavalcanti, o professor universitário acredita que a poupança ainda é um bom negócio, principalmente para a classe média interessada em garantir um extra livre da inflação e com a possibilidade de ser movimentado a qualquer momento.
O economista ressalta ainda que quem opta pela poupança só tem gastos com CPMF depois de 180 dias. "Em algumas situações, dependendo do valor aplicado e do planejamento para movimentação do dinheiro, a poupança é mais vantajosa", defende. Para Ferreira, o governo federal deveria incentivar mais o uso da poupança. Além do consumo que é amplamente estimulado, ele acredita que o estado deveria se preocupar mais com o futuro da população. "A média de idade está subindo e a previdência social é incapaz de atender a todos. Incentivar a poupança é uma medida fundamental para garantir o bem-estar da população mais na frente".
Em alta - Em um ponto os dois especialistas concordam. Tanto para os pequenos, quanto para os grandes investidores, a compra de títulos do Tesouro Nacional é um ótimo negócio. A rentabilidade das aplicações está atrelada à taxa Selic, situada hoje em 19%. Os investimentos podem ser feitos a partir de R$ 200, sendo as compras realizadas via internet. Quem optar por esse tipo de aplicação, segundo os consultores, terá retorno garantido. O resgate deve ser feito pelo menos um ano após a aquisição.
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