O atual glossário da moda, feito de jargões da economia, como balança comercial, dumping, fusão de empresas, é um reflexo das mudanças que o fashion system passou nas últimas décadas. Folclóricos personagens como Dener Pamplona de Abreu ou Clodovil Hernandez sumiram da paisagem, abrindo espaço aos estilistas com alguma habilidade para os negócios. Concordata virou tendência entre os costureiros que não conseguiram se adaptar aos novos tempos. Driblando os dois times, o pernambucano Ricardo de Castro comemora, esta semana, 40 anos de história na moda com uma mostra retrospectiva de suas roupas e um desfile no espaço de eventos do Aeroporto dos Guararapes.
 Verde esmeralda para valorizar a morenice da Miss Guanabara. Fotos: Divulgação. | Entre os modelos recuperados para a comemoração, quase nada pertence à safra mais inventiva do criador que propôs, ainda nos anos 60, uma coleção em homenagem à Lampião e Maria Bonita, ou uma outra que aproveitava bicos de algodão tingidos na construção de um longo para a noite. "Valorizar a estética regionalista não era algo comum nas roupas de festa, inspiradas pelas propostas apresentadas em Paris", recorda. A renda renascença, por exemplo, já estava na composição de um vestido em linho desfilado no Rio, em 1974. "O ineditismo me permitiu ganhar a mídia nacional, aparecendo nas páginas de O Cruzeiro, Manchete ou Fatos e Fotos", diz, mostrando os exemplares de 1970 e 1973 que cedeu ao Diario.
Concurso - Marketeiro dos bons, também chamava atenção com seus desfiles montados na marquise do Hotel São Domingos, em frente à Praça Maciel Pinheiro, e a Ponte Duarte Coelho, no Centro do Recife. "Quando decidi morar no Rio, também passei a mostrar minhas coleções na calçada da Rua Montenegro (atual Vinícius de Moraes), fazendo Ipanema parar", diverte-se. Até no programa de Flávio Cavalcanti, exibido em rede nacional, aos domingos, foi convocado a entrar na disputa do concurso Um Costureiro para o Brasil. "Minhas manequins eram Elke Maravilha e Josefa, a ex-doméstica que virou condessa na Europa". A fechação rendeu-lhe o segundo lugar, além de um convite para integrara equipe de Maria Augusta, a lendária treinadora de misses.
 | O passo seguinte seria freqüentar o então calendário de lançamentos, a Fenit, e as colunas de Jacintho de Thormes, no jornal Estado de São Paulo, e Ibrahim Suede, em O Globo. "Essa fase carioca serviu para me mostrar a importância da divulgação, de uma estratégia de lançamento e da distribuição que os estilistas hoje aprendem nas escolas". No início dos 90, decidiu voltar para o Recife, criando uma marca de sportswear, a Rika. "Agora, estou trabalhando muito com aluguel. Por aqui, as pessoas deixaram de comprar, diferente de São Paulo, onde as clientes chegam a pagar R$ 8 mil por um dos meus longos em renascença", comenta Ricardo.
Serviço
Chá Beneficente - Homenagem aos 40 Anos do estilista Ricardo de Castro Quando: 10 de novembro, às 17h Preço: Senha individual custa R$ 30,00, com renda revertida para o Instituto de Assistência Social e Cidadania do Recife Informações: 3326.9726
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