Não poderia ter sido melhor a estréia do show solo da cantora Isaar. Era pra ser uma festa badalada, com participação ainda do Negroove e Punk Reggae Parthy, que junta músicos de várias bandas olindenses em torno de versões regueiras para clássicos do punk. Por motivos que nem a produção soube explicar direito, a bilheteria no Mercado Eufrásio Barbosa não teve muito movimento. Somente à 1h30, Isaar e banda começaram a tocar, para bem pouca gente. Não poderia ter sido mais inspirador, ela mesmo confessaria depois que sentiu-se menos nervosa naquele clima intimista. O sentimento geral era de que, se a primeira apresentação estava daquele jeito, imagine quando Isaar lançasse o CD e fizesse mais e mais shows. Este primeiro foi curto, cerca de dez músicas, serviu para experimentar pela primeira vez o repertório junto ao público. Isaar estava produzindo o CD quando pintou a idéia de começar os shows logo.
O produtor do álbum será o técnico de som Lindberg, que auxiliou Isaar no formato que chegou tanto para asgravações quanto para o show. Juntos formaram a banda: o baixista Lito, que Isaar conhecia do Alma em Água; o baterista Sidcley, que também toca no maracatu rural; Gabriel, que também faz parte do projeto Aparelhagem, de DJ Dolores, junto com Isaar, foi convidado para colocar guitarra e outros instrumentos de cordas. De uma formação convencional sai uma música nada manjada. Cada um dos músicos deixou sua influência nos arranjos das canções: a guitarra traz o suingue, por vezes remetendo a ritmos como merengues e boleros; o baixo viaja pontuando com graves as cirandas, cocos, e sambinhas.
Depois de ter passado pelo Comadre Florzinha (um projeto totalmente acústico e tradicional) e também pela banda Aparelhagem, do DJ Dolores (onde ela continua até o último show do projeto), Isaar criou um estilo que transita entre as duas linguagens, mesmo sem usar (pelo menos até agora) nenhum aparato eletrônico no show. Sua voz está cada vez mais firme, segura, aguda, mas sem afetações. Completam e agregam valor à boa performance vocal os instrumentos que usa no palco: um tambor (usado em quase todas as músicas), maracá, xequerê e gaita. Ainda um tanto inibida, ela vai manuseando os instrumentos, apresentando as canções, citando os compositores e de um modo discreto prendendo a atenção da platéia.
Estão no seu repertório o coco Nossa Senhora (do mestre Ferrugem, que está na coletânea Coco do Amaro Branco), a ciranda O Pescador, dela mesma, além de Borboleta Amarelinha, Ciranda da Madrugada e Azul Claro (em que Sidcley faz a conexão do som de Isaar com a música eletrônica. Para finalizar cantou, em versão bem particular, Oiê, de Júnio Barreto.
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