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Edição de Segunda-Feira, 31 de Outubro de 2005 
Viver | Fernanda Abreu assume novo perfil em semi-acústico
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VIVER
Fernanda Abreu assume novo perfil em semi-acústico
Artista carioca deixa de lado o funk e as bases eletrônicas e adota batidas suaves na turnê que faz pelo país
Júlio Cavani
Da equipe do DIARIO   
Fernanda Abreu sentada em cima de um banquinho na maior parte do show? Faz sentido? Com versões em ritmo de bossa nova para uma música de Michael Jackson (Rock with you) e para o clássico da disco Got to be real, que no final das contas funcionariam bem numa praça de alimentação de shopping center, a carioca apresentou o show semi-acústico sábado, no Teatro da UFPE. Segundo ela mesma disse no palco, o formato foi pensado por encomenda para um bar de São Paulo, freqüentado por "milionários" e acabou se transformando em turnê. O público não chegou a lotar o espaço, mas fez volume suficiente e aprovou o que viu e ouviu, cantando e dançando no final, ao som da carnavalesca É hoje, de Caetano Veloso, anunciada por ela como surpresa, por não estar no repertório oficial do show.

  Fernanda continua em forma como cantora e dançarina, mas não como artista, pois está vendendo uma falsa sofisticação. Nos discos, costuma ligar o samba à eletrônica e ao funk. Neste trabalho, funde bossa nova e trip hop. Ou seja, reduzindo a velocidade das batidas e trocando o pancadão pela suavidade, segue a mesma idéia envelhecida de 10 anos atrás, quando o Brasil tentava se afirmar diante do avanço da globalização, mas agora se tornando menos divertida.

  Fernanda se sai melhor com suas próprias composições, como Rio 40 graus, Veneno da lata e Você pra mim (mesmo sendo lenta). Garota sangue bom recebeu o melhor arranjo porque se baseou no funk carioca, com suingue autêntico e referências a Daisy Tigrona. Jorge de Capadócia, de Benjor, que ela havia gravado com Carlinhos Brown no disco Raio x, ganhou versão trip hop, que pareceu imitação dos Racionais MCs em Sobrevivendo no inferno, quando eles gravaram a mesma canção.

  Quem abriu o show foi o coral Madeira de Lei, grupo local que faz música pernambucana enlatada, cantando os clássicos do Bloco da Saudade e de Capiba, entre outras obviedades. Reduzindo os arranjos a bateria, percussão, baixo, teclado e sax, eles não acrescentam qualquer coisa à cultura local, já que não usam criatividade para retrabalhar as raízes. O coro é formado por seis vocalistas, dois homens com camisas floridas - estilo havaiano - e quatro mulheres sem identidade visual definida. Tocaram Vassourinhas e foram tão constrangedores quanto DJ Dolores, que teve essa mesma idéia na Torre MalaKoff, também na noite de sábado.

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