Queria articular palavras. Traduzindo, quase sem querer, todos os gestos. Colocar no silêncio do papel os impulsos do coração. Esta catedral em chamas. Depois percorrer as veias. Tocar no supercílio das avenidas da vida e levantar as pálpebras da alma. Ver o mundo das palavras com fraternidade. Colocar em derredor dos membros superiores e inferiores a argamassa da fé. E rodeado do olhar divino perder-se para sempre do medo: Sem os tremores das mãos, dos lábios, dos pés, entregar-se aos braços e abraços da vida em festim e frenesi. Portanto não cambalear e nem desesperar jamais, no dizer do poeta. Porque devemos, serenamente, acompanhar o que os diz Duke Ellington:" os problemas são oportunidades para demonstrar o que se sabe."
Mas nossos erros são com as palavras e não com o corpo. Erra-se em palavras. O amor parece não nos bastar porque nos faltam palavras. As desordens do mundo têm origem na fuga do modelo real e da calúnia desumana.
Portanto, diante do tudo, o poeta Mauro Salles com o seu livro Recomeço é uma esperança de ordem à arte. Ele é um projeto com que se recomeça a origem de tudo que é desmantelo transformado em dores e restos. Sua poesia dá novas cores ao universo e refaz o ciclo dos outonos convertidos em desperdício. A terra dos vulcões, multiplica os pães e os peixes, inspira os milagres, singelos, mas milagres; o mesmo fenômeno do lavrador que, do nada, tira aquilo com que glorifica a Deus e põe à mesa. Sacia a fome do mundo. Põe ordem ao mundo.
É de juntar palavras / meu ofício. Diz o poeta Mauro, e a sensação que tenho é de que todas as palavras que queria pronunciar acabam de ser ditas. Publicadas, propaladas, cantadas. Elas pulam, pulsam, unem-se no discurso das águas que se juntam para combater o verão, sem a beleza última da onda que chega. Ou ainda como mãos que se dão para vencer a solidão e seu silêncio. Proferindo um discurso secreto onde o verbo amar é conjugado em metáforas.
Relei-o na mais profunda humildade dos que precisam tirar as contraprovas das formas recém-concebidas,que são como um entorpecente à este provador de curtas datas, de olhos assustados e de passos medidos. Porque Deus deu ao homem a linha do horizonte como limite. E o sonho como ultrapassagem do abismo do cotidiano.
Tenho os olhos debruçados sobre livro que embora tenha como título Recomeço, é um encanto que não acaba nunca. A mente divaga pelo universo que ele criou, de geografia secreta, e a obra é caminho que conduz a esse território sem fronteiras. Nele você nos leva pela mão a transitar.
Eis porquê mal o decifro na poesia contida em seu Recomeço. Se sigo os trilhos da linguagem encontro apenas vestígios envoltos em metáforas, o cansaço e o extrativo. Onde estás, Comandante? Aonde andas, Mauro Salles? Já buscas outros mundos, não se sente mais tão só, com seus braços pictóricos acesos e fortes tomando o leitor pelas mãos.
É de juntar palavras / meu ofício, diz Mauro. Repetirei quantas vezes forem necessárias. Gritarei alto, a esmo. Mesmo sabendo-se porta-voz apenas do eco reeditado pelos boqueirões ecorações entre as montanhas.
E é o ofício de juntar essas palavras, que combate os verões e seus silêncios.
E tu as une! Como em um fluido discurso de muitas águas. Abro teu livro e ouço vozes anunciando um tempo que não será mais despedaçado pelos intervalos do amanhecer. Palavras modeladas no barro - vida. E no profundo silêncio, resta, alimentar-se desta poesia maureana.
Sorrisos Um dos grandes nomes da odontologia do Brasil, o dentista Geovane Tenório, esteve em Caxambu, no 38º Congresso Sul-Mineiro de Odontologia, a representar o Instituto Brasileiro de Implantodontia, revelando sua pernambucanidade e conhecimento profundo do tema.
Pecados de areia A escritora Djanira Silva, lança seu mais novo livro, Pecados de Areia, nos jardins da Academia Pernambucana de Letras, numa noite de muito prestígio, traduzindo assim a demonstração da importância da literatura desta escritora em nosso Estado. A obra já está à venda no Recife.
Romances O acadêmico Lucilo Varejão Filho coordenou e organizou a edição dos romances Passionário e Regina, de Theotônio Freire; A Emparedada da Rua Nova, de Carneiro Vilela; O Claustro, de Manuel Arão e Morbus de Faria Neves Sobrinho. Este lançamento inicia a reedição de 16 romances de oito escritores, reunidos em nove volumes da coleção Os velhos mestres do romance pernambucano, patrocinada pela Chesf.
Solidariedade Muito comentado o lançamento do livro Memórias de um emigrante, do presidente do Gabinete Português de Leitura de Pernambuco, Antônio da Costa Martins, cuja renda da venda dos livros será revertida para aquela instituição.
Dorany e a sertanidade O secretário de governo Dorany Sampaio recebe o título de cidadão de São José do Egito. O autor do projeto que concedeu o título foi o vereador Ronaldo Leite. A solenidade foi prestigiada por personalidades importantes da sociedade egipciense, como o presidente da Câmara de Vereadores daquela cidade, Roberto Sampaio.
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