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Paixão que faz mal ao coração
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Torcedores fanáticos devem ter cuidado com emoções fortes, que podem causar paradas cardíacas |
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Fanático torcedor do Sport Club do Recife, Isaudo Firmino dos Santos, conhecido como Zé do Rádio, sofreu um infarto aos 26 anos, mas não deixou de freqüentar os estádios de futebol. Em vários momentos emocionantes de decisão de campeonatos, ele se deixou levar pela euforia e passou mal, precisando ser socorrido. Há pouco mais de três anos, Zé do Rádio teve o coração transplantado e precisou, durante alguns meses, abandonar o campo e acompanhar os jogos de longe, através do aparelho de som. Assim como ocorreu com ele, dezenas de pessoas que têm problemas do coração, quando expostas a emoções fortes, como os jogos do time preferido, podem sofrer palpitações e paradas cardíacas.
"Para um grande torcedor, os lances de uma partida de futebol, os gols realizados e os sofridos são momentos difíceis. Minutos de tensão, angústia e alegria. Nessas situações, o organismo libera substâncias adrenégicas, como a adrenalina, que aumentam a freqüência cardíaca e elevam a pressão sangüínea. Isso, em algumas pessoas, pode causar uma sobrecarga no coração", alerta o professor da Faculdade de Ciências Médicas do Hospital Oswaldo Cruz, referência em cardiologia no estado, Ricardo Lima.
No caso de um estádio de futebol, por exemplo, que é um lugar, geralmente, cheio de gente e de difícil locomoção, a falta de instalações adequadas para socorro pode até causar a morte. "As pessoas comuns, normalmente, não sabem o que fazer se alguém tiver uma parada cardíaca, por exemplo, até porque pode parecer que o indivíduo apenas desmaiou. Então, é preciso verificar o pulso dele e fazer massagem cardíaca, enquanto o encaminha para um profissional de saúde. Esse processo precisa ser realizado com sucesso em até três minutos, ou o cérebro pode parar por falta de oxigênio", alerta. Mas, o despreparo das pessoas para prestar os primeiros socorros é um entrave ao correto atendimento. "O ideal é ter equipes paramédicas preparadas em qualquer ponto do estádio, inclusive nas arquibancadas ou qualquer outro lugar com aglomeração de pessoas", conclui.
Mas, segundo o cardiologista, o primeiro passo para evitar problemas mais sérios é o diagnóstico. "Algumas doenças são assintomáticas. É preciso procurar um médico para saber se está tudo certo ou se é necessário mudar alguns hábitos e tomar precauções", avisa Lima. Deve-se evitar gorduras, bebidas alcoólicas, fazer exames periódicos e exercícios físicos, principalmente após os 40 anos. Tomadas essas medidas, qualquer um está liberado para torcer pelo seu time.
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