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Edição de Segunda-Feira, 31 de Outubro de 2005 
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Opinião
Opinião
Obra por fazer
Diversas matérias - não são poucas - tem editado este jornal sobre o crônico problema da falta de saneamento básico nas cidades que compõem o mapa do Estado. É mal que vem de longe, porque vem do sentimento dos homens: estes não costumam dar ao problema do saneamento básico a importância que a ele é devida. Obras na rede aérea, visíveis por sua mesma natureza, chamam a atenção das pessoas e orientam deste modo a atuação das administrações. Demais disto, será em tese possível conviver por semanas e até meses com uma galeria que estourou, com entupimentos e outras conseqüências da má conservação do sistema de esgotos e do uso por vezes indevido que se dá a ele.

  Temos mostrado, inclusive com fotografias a cores que muitas edificações da capital não são beneficiadas pelo que resta do sistema de esgotamento sanitário da cidade. Face a inexistência de esgotamento sanitário em aproximadamente dois terços da capital em permanente expansão imobiliária, convencionou-se que as firmas construtoras só receberiam a autorização de construir se providenciassem, como parte integrante do projeto construtivo, a instalação do chamado saneamento próprio. Assim tem sido.

  Sucede que os mini-sistemas de esgotamento, de capacidade variada, logo se mostram com a respectiva capacidade comprometida. Eles implicam o esgotamento periódico que, entretanto, é em inúmeros casos descurado por falta de iniciativa do condomínio respectivo, ou porque os moradores dos condomínios não se sentem afetados pelo problema.

  Deste modo, centenas e até milhares de edificações na capital jogam desordenadamente nas galerias pluviais o dejeto que excede a capacidade do saneamento próprio, fazendo com que elas estourem de vez em quando, ou permanentemente, em alguns casos. Como se não fora o caso de vergonha pública que é, edificações existem que simplesmente lançam os dejetos a céu aberto em canaletas e fossos improvisados. Além da feiúra da cena, contam-se também e sobretudo a poluição que o mau costume deixa sobre o terreno e aquele que se distribui nas águas adjacentes.

  O Diario, depois de ouvir as autoridades sobre esse panorama - que por sinal se estende a outras capitais de província e incontáveis cidades grandes - concluiu que são três os bairros populosos onde mais acentuadamente ocorrem esses problemas: Campo Grande, Encruzilhada e Boa Viagem. É de notar que Boa Viagem funciona, aqui, como um dos nossos cartões de visita, ou seja, o bairro marítimo por excelência é aquele dentre os demais que é procurado pelo turista visitante. Ora, diante do quadro pintado sem exagero algum, até o mais bairrista dos recifenses que possamos encontrar se sente envergonhado e sobretudo entristecido porque vê passarem os anos e as épocas sem que as devidas providências sejam tomadas, implantando-se o saneamento básico na totalidade da área recifense.

  Afinal, estamos ante um problema de dimensões homéricas, colossais, que urge resolver por mil razões e motivos ponderáveis, quer se trate de obra de baixa ou alta visibilidade. Dissemos certa feita que o grande Saturnino de Brito legou aos pósteros obra imorredoura por onde andou, mas não nos parece haver deixado discípulos e apóstolos dedicados. Tanto que paramos de fazer saneamento básico.


Milhares de edificações na capital jogam desordenadamente nas galerias pluviais o dejeto que excede a capacidade do saneamento próprio

Frases

Quando você se dispõe a sentar em uma mesa de negociação, você sabe como entra, não sabe como sai.
Jacques Wagner, ministro das Relações Institucionais, sobre o governo prolongar o debate antes de iniciar as obras de transposição do São Francisco

A responsabilidade social também é apontada como uma das linhas mestras para o desenvolvimento da indústria nacional.
Alex Mansur, coordenador de pesquisa, avaliação e desenvolvimento do Sesi, sobre a preparação da entidade para prestar consultoria à indústria

A Autoridade Palestina precisa fazer mais para acabar com a violência e impedir a execução de ataques terroristas.
Scott McClellan, porta-voz do presidente dos Estados Unidos, George Bush, após ataque contra Israel assumido pela Jihad Islâmica

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