O sonho do atleta cinco vezes campeão pernambucano em corrida de barreiras, salto em distância e salto triplo Abraão Joaquim do Nascimento Irmão, 36 anos, era ser um engenheiro elétrico. Mas a paixão pelo atletismo o fez desistir na fila de inscrição do vestibular. "Decidi no último instante cursar educação física. Então me inscrevi na UFPE e na UPE e passei nas duas universidades", lembra.
 nascimento diz que o seu objetivo é ver um dos seus atletas nos jogos olímpicos. Foto: Simone Ventura/Especial para o diario. | O amor pelo atletismo surgiu ao assistir a prova de 110 metros com barreira nas olimpíadas de 1980 em Moscou e foi estimulado pelo seu professor de educação física Benezé Vilela. "Eu estudava na escola Dom Vital, em Casa Amarela, e ele selecionou alguns atletas para estudar com bolsa no colégio Marista. Na época eu cursava a 8ª série e era a primeira vez que estudava numa escola particular. Depois fui para o colégio Bairro Novo, em Olinda, e conclui todo o ensino médio lá, graças ao esporte", conta.
Quando atleta, Abraão Nascimento competiu na corrida de 100 metros, 200, 400 e até 5 mil. "Eu tinha um único tênis que calçava para ir à escola, nas festas e para treinar. E só dois shorts", relembra. Mas embora tenha sido cinco vezes campeão pernambucano não se considerava um bom atleta. "Os meus alunos, hoje, conseguiram resultados bem melhores", comemora.
Tanto orgulho se deve aos títulos conquistados. O garoto de Casa Amarela, que começou a dar aulas de educação física desde o primeiro período da faculdade, hoje comanda uma equipe com 250 atletas e já conquistou como treinador 56 campeonatos brasileiros em todas as categorias. "Em nossa equipe tivemos nove campeões sul-americanos e quatro atletas participaram de campeonatos mundiais em várias provas. No Brasil, a nossa equipe é referência", diz.
A trajetória de conquistas teve início com a criação de uma escolinha de atletismo, no colégio Souza Leão, no Cordeiro, quando ainda era estudante universitário. No primeiro ano da escolinha, um aluno foi campeão no então jogos Pilar na corrida com barreira e terceiro lugar no salto em altura. "Logo na corrida de barreira que era a que eu mais gostava quando atleta", ri. Nos três anos da escolinha, os seus atletas conquistaram o bicampeonato mirim dos jogos escolares ao vencer o colégio Boa Viagem que há dez anos consecutivos era campeão.
Em 92, já formado pela UFPE, começou a dar aulas no CPI e lá novamente montou uma outra equipe. "Eu considero a equipe dos sonhos", vibra. Essa definição não surgiu do acaso. Foi lá que começou a rever "o filme da sua vida". Formada a equipe, Abraão Nascimento conseguiu várias bolsas de estudo para alunos das escolas públicas, trazendo-os para um novo universo. Ele conta que vários atletas entraram na universidade e muitos já se formaram.
A força de vontade dos seus atletas e "o sonho de fazer acontecer" é o que segundo ele o estimula a continuar tentando. "Pedro, por exemplo, é um dos meus atletas que me fazem seguir em frente. Ele vende macaxeira para sustentar a sua família. A mãe tem câncer e mesmo assim ele treina todos os dias. O meu trabalho só vale a pena por isso", diz.
Atualmente, ele é treinador da equipe de atletismo do CPI e da Faculdade Maurício de Nassau e coordena a área de esportes voltada para os jovens da Fundação Nacional para o Desenvolvimento da Educação Tecnológica (Funtec). Mesmo assim, ainda tem um sonho: ver um dos seus atletas nos jogos olímpicos. Nada difícil para quem já tem três pré-colocados para o panamericano em 2007. Boa sorte!
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