A decisão do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, de criar um grupo de emergência para coordenar as ações do ministério em relação ao foco de febre aftosa identificado na fazenda Vezozzo, localizada no município de Eldorado, em Mato Grosso do Sul, mais que necessária afigura-se, em princípio, compatível com a gravidade do fato e suas implicações não só para o setor pecuário como para o fluxo de nossas exportações e, mais amplamente, para a própria economia brasileira. Integrarão o grupo, como foi anunciado, representantes das secretarias de relações internacionais, de defesa agropecuária, de política agrícola, da área de orçamento do ministério e do próprio gabinete do ministro.
Além de ter como missão acompanhar as investigações, já em curso, sobre o foco da doença e sua origem, ao grupo caberá também propor medidas tendentes a reverter o quadro de crise que já levou 33 países (incluindo os da União Européia e a Rússia), a suspenderem as importações de carne proveniente de Mato Grosso do Sul, SãoPaulo e Paraná, tendo alguns estendido o embargo a todo o País.
Após visitar a referida fazenda e seu entorno, o ministro manteve encontro com o governador de Mato Grosso do Sul, José Orcílio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, com quem discutiu o quadro tal como ora se apresenta, os riscos que oferece e seus desdobramentos potenciais. O ministro quer criar, aliás, um fundo emergencial para agilizar o ressarcimento dos prejuízos decorrentes de situações semelhantes. Desde que a doença se manifestou, quase 600 animais já foram sacrificados.
Veja-se que a suspensão, anunciada pela UE, das importações de carnes bovinas desossadas e maturadas pode afetar, numa avaliação preliminar, 55% a 60% do que o Brasil exporta nesse setor para o mercado europeu. Oito dos dez maiores clientes brasileiros já haviam, aliás, suspendido as compras temporariamente e, caso as suspensões venham a caracterizar um bloqueio, os cálculos da Confederação Nacional da Agricultura (CAN) indicam que 60% das exportações poderão ser comprometidas. A posição de liderança que a pecuária brasileira hoje ocupa, com vendas de mais de US$ 2 bilhões de carne ao exterior, deixa transparecer por si só a prioridade que aí se manifesta de forma irrecusável e que tem a ver com a preservação de uma posição conquistada, a interessar tão de perto, como interessa, ao conjunto da política de desenvolvimento, que tem no aumento das exportações um de seus esteios.
Nesse contexto, evidentemente, acima e além das medidas de conteúdo emergencial como as que ora se anunciam, os programas de defesa sanitária animal são fundamentais, devem ser permanentes e não podem ficar sujeitos, no processo de execução orçamentária, a contingenciamentos, como os que têm ocorrido, das verbas que lhes são destinados ou retardo de sua liberação, em detrimento de sua continuidade e de sua eficiência. O que aí está em jogo não diz respeito tão só ao interesse de um setor senão à segurança e estabilidade de um processo evolutivo certamente básico para a própria economia brasileira.
Os programas de defesa sanitária animal são fundamentais, devem ser permanentes e não podem ficar sujeitos a contingenciamentos
Frases
O PT, como o governo federal, já pagou todos os dividendos da atual crise. Está consolidado o preço que nós pagamos por esse episódio. Jaques Wagner, ministro de Relações Institucionais, dizendo que o preço pela crise já foi pago
Sou um otimista com respeito ao Iraque. Penso que entre cinco e dez anos veremos o país estável. Jack Straw, ministro britânico das Relações Exteriores, sobre a estabilização democrática no Iraque Ele conseguiu uma liminar para me tirar do caso.
A defesa do oficial alegou suspeição porque fui candidato a prefeito da cidade. Alexandre Bezerra, promotor de Garanhuns, sobre o processo de improbidade administrativa envolvendo o tenente-coronel Plínio Chaves Arruda
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