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Edição de Segunda-Feira, 17 de Outubro de 2005 
Guia de Profissões | Missão: salvar vidas
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GUIA DE PROFISSÕES
Missão: salvar vidas
A enfermeira Lannuze Andrade dos Santos é conhecida no Imip por sua dedicação, amor e respeito às crianças internadas na UTI
Cristina Sobreira
Especial para o DIARIO
Ela está acostumada a passar horas e horas observando bebês que estão em situação de risco de morte em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela sabe que não pode falhar. Muito do sucesso daquela pequena vida depende de seus cuidados. De sua atenção. Em troca, ela se alimenta com o restabelecimento daqueles pequenos, que são entregues aos familiares como grandes presentes. Lannuze Gomes Andrade dos Santos, 37 anos, é enfermeira do Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira (Imip). Respeito, amor ao próximo e paixão pela profissão são sentimentos que se confundem com ela.


Lannuze diz que a sua maior alegria é ver a recuperação dos bebês. Foto: Alcione Ferreira.
  Especialista em pediatria e em administração hospitalar, além de mestre em saúde materno-infantil, ela se formou há 16 anos pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Depois de quatro anos de formada, veio o seu maior desafio: foi convidada pela direção do Imip para gerenciar, juntamente com a enfermeira Maria Cristina Figueira, a equipe de enfermagem do hospital.

  "Há 11 anos o Imip tinha 400 leitos e já era referênciaem diversas especialidades dentro e fora do país. Eu era nova na profissão e me confiaram essa grande responsabilidade", relembra. Enfermeira de "alma intensivista", como ela mesma se define, trabalhou todos esses anos na UTI pediátrica do Imip e foi lá que, segundo ela, aprendeu as maiores lições de vida. "Tivemos uma paciente portadora de uma síndrome muito séria. Todos da equipe sabiam que era um caso grave. Ela não passou muito tempo com a gente, mas a alegria que ela tinha naquela condição de vida, sua esperança e expectativa era contagiante".

  Acostumada a lidar com situações extremas de risco de morte de bebês, ela se emociona ao falar que cada vitória a impulsiona a seguir em frente. É a certeza de que está na profissão certa. "Por mais que a gente lide com esses problemas todos os dias, nós nos envolvemos com o lado emocional do paciente, com as histórias, com a família".

  A grande lição veio com a doença do próprio filho, que tinha 1 ano e 8 meses quando foi internado na mesma UTI com uma infecção grave. "Ele ficou em coma por 24 horas, teve choque séptico e eu recebi aqui dentro a notícia que ele tinha apenas 50% de chance de sobreviver. Graças à assistência da equipe da UTI pediátrica, hoje ele tem 11 anos. Devo essa história ao Imip e ao meu trabalho", comemora.

Doação - O desejo de "cuidar" foi decisivo na hora de se definir por enfermagem. Quando chegou à universidade, a ansiedade em cuidar do próximo algumas vezes a colocou em situações engraçadas. "Eu comprava as apostilas e estudava os assuntos antes de serem dados pelo professor. Então, fazia perguntas que não eram do capítulo dado e isso atrasava a aula. Era uma confusão". A vontade de aprender era tanta que já no segundo ano da faculdade Lannuze e uma amiga foram até a Secretaria de Saúde do estado para pedir um estágio. Conseguiram estagiar durante dois anos na maternidade Bandeira Filho em introdução à enfermagem "só para ver".

  Depois vieram as seringas, as agulhas e a primeira injeção. "Por mais que a gente tenha aprendido na faculdade fazendo uma nas outras, no começo é muito complicado. Eu disse ao paciente que ele tivesse calma porque era a primeira vez que ia fazer uma medicação endovenosa, mas que eu estava tranqüila. Ele arregalou os olhos para mim, mas soube respeitar aquele momento", recorda.

  Os hospitais da Restauração, do Câncer e da Polícia também fizeram parte do aprendizado de Lannuze Gomes. Um mês após a formatura surgiu a vaga na unidade neonatal do Imip. "Até então eu pensava que seria uma enfermeira obstetra. Eu disse, aí meu Deus, recém-nascidos, o que vou fazer lá? Mas aprendi que as coisas chegam para você dentro do seu destino".

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