Rodolpho não começou no futebol sábado. Pelo contrário. Desde bem pequeno, ele se aventurou nessa ousadia de ser goleiro. Para muitos, uma profissão ingrata, insana e injusta. Todo goleiro que se preze necessita de técnica, agilidade, reflexo, frieza, além de uma boa altura e, de vez em quando, um pouquinho de sorte. Dessas seis características fundamentais na construção de um digno "Camisa 1", Rodolpho sempre demonstrou ter, pelo menos, as quatro primeiras. Não fosse assim, nunca teria chegado onde está. O caminho que leva um garoto a se tornar um atleta profissional é extremamente complicado e excludente. Para o goleiro, esse funil é ainda mais perverso, já que os erros dificilmente passam despercebidos, geram conseqüências graves, às vezes irreversíveis. Falhar numa defesa aparentemente fácil nem se compara a errar um passe, levar um drible ou mesmo perder um gol embaixo da barra, aos 44 do segundo tempo. Por isso, sobreviver ao funil dessa profissão não é pra qualquer um. Imagine para um garoto que, antesmesmo de entar em campo, já assume a responsabilidade de ter que suprir uma das características consideradas fundamentais para o seu trabalho: a altura. Dizem que ele até tem 1m80. Não parece, mas também não precisa de fita métrica para provar nada. O que mudaria saber que ele tem alguns centímetros a menos ? Ele continuaria o mesmo, com as mesmas qualidades e defeitos. E continuaria perseguido pelos impiedosos números que o classificam como o goleiro mais baixo das duas principais dividões do futebol nacional. Sábado, no entanto, quem o viu debaixo das traves dos Aflitos, deve ter coçado os olhos e não acreditado no que estava vendo. Àquele baixinho de antes - o mesmo que dia desses levou um gol de cobertura numa partida-chave contra o velho rival, sendo execrado pela torcida e retirado do time - se tornara um gigante. Um verdadeiro herói. E àqueles imperdoáveis centímetros a menos voltaram a ser meros centímetros.
Mauri - Enquanto Rodolpho salvava o Náutico dentro de campo, nas cadeiras dos Aflitos, um grupo de torcedores fazia questão de gritar o nome do treinador de goleiros, Mauri. Ele, que também estava nas cadeiras, é considerado o principal responsável pela volta do goleiro à condição de titular. Todos por lá sabem que, no fundo, Mauri nunca concordou com a escalação de Pitol.
Volta por cima - A classificação antecipada do Náutico foi outra prova da força de um elenco que deu a volta por cima dentro da competição e também em suas carreiras. Jogadores como Rodolpho, Adhemar, Bruno Carvalho, Cleisson, Danilo e Miltinho viveram instabilidades ao longo do ano, muitos sendo desacreditados e até mesmo dispensados de outras equipes.
Provocação - Um veículo chamou a atenção pelas ruas do Recife no último sábado. Além de três grandes bandeiras do Santa, o carro levava amarrado ao pára-choque trazeiro um leão de pelúcia que era arrastado pelo asfalto.
Festa - Campeão absoluto de público na Série C, com média de 28 mil pagantes, o Remo está bem perto do quadrangular final depois de vencer o Nacional, em Manaus, por 2 x 0. No jogo de volta, sábado, 40 mil pessoas devem invadir o Mangueirão.
Guerra - Pelo visto, a guerra dos bastidores de contratações entre a diretoria do Náutico e do Sport não tem trégua. Dessa vez, já visando 2006, Gustavo Dubeux revelou que os alvirrubros estão tentando interferir no retorno do atacante Jadílson para o Sport - possivelmente oferecendo Betinho na negociação.
Pesos pesados - A Copa de 2006 deve ter o privilégio de receber as maiores potências do futebol. As seleções de maior tradição estão, aos poucos, garantindo suas vagas nas eliminatórias. Entre as sete campeãs mundiais, apenas França e Uruguai ainda precisam de resultados na próxima quarta-feira.
Renovação - Dos resultados finais das eliminatórias pelo mundo, a grande novidade até agora vem do continente africano. Seleções já tradicionais como Camarões, Nigéria, Egito ou África do Sul perderam espaço para quatro países estreantes: Costa do Marfim, Angola, Gana e Togo. Neste último, hoje é feriado nacional.
Andando - Um fato curioso ontem, em La Paz: a delegação brasileira chegou ao estádio a pé. O motivo da inusitada caminhada foi a altura do ônibus brasileiro, que foi impedido de entrar na garagem pelos funcionários do estádio. A caminhada foi curta, pouco mais de 100 metros.
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