"Foi necessária embarcação com sonda para localizar o ponto do mergulho. Precisamos acordar cedo para pegar o estofo de maré alta, amarrar um cabo na corda da corveta e deixar o barco derivar até chegar no local onde a profundidade seria a ideal. O barco ficou nos 62m, oscilando para os 63m. Não conseguia encontrar mais profundidade, porém mesmo assim decidi descer, pois o tempo era precioso e a tripulação estava se desgastando com o sol e o risco de vendaval. Coloquei o alarme para tocar quando atingisse -50m, mas não escutei nada. Em um certo momento decidi olhar para baixo, faltava mais que o esperado. Continuei porque não sabia se teria outra chance".
Este é o início do relato da mergulhadora Karol Meyer sobre um dos dias mais especiais de sua vida, o dia em que quebrou o recorde mundial de lastro constante, uma das categorias do mergulho praticada com a técnica de apnéia (sem qualquer cilindro de oxigênio, apenas com o ar armazenado nos pulmões). Karol, pernambucana que mora em Florianópolis, atingiu- 61 metros e retornou à superfície em menos de 2 minutos. Saiu do mar comemorando mais que uma marca histórica. Um desafio vencido. Assim como acontece com ela, para muitos o mundo à parte que se descortina abaixo da superfície, no barulho peculiar das águas, vai além da procura de arraias, melros, tartarugas e incursões em naufrágios. Para alguns mergulhadores, o principal lance é testar a resistência, aumentar a capacidade e, conseqüentemente, tentar ser o melhor. No lastro constante, por exemplo, o objetivo é descer à máxima profundidade possível, através de uma única força: o impulso do próprio mergulhador. O lastro é um simples figurante, que fica ao lado do mergulhador, servindo somente para descer e subir.
A apnéia, uma das formas de mergulho livre, parece simples. Tanto que, teoricamente, pode ser realizada por qualquer um. No entanto, oferece risco se for praticada sem o devido cuidado. Para os amadores, 5 metros abaixo da superfície é um bom limite, no entanto, as histórias de tirar o fôlego vãomuito além disso. A pernambucana Karol Meyer é, no estado, a melhor protagonista delas. Encarando a apnéia como esporte, já rodou o mundo em busca dos paraísos submersos. E jura tê-los encontrado. Já chegou a -80m, em Noronha, lugar que ela garante ser especial. Aliás, na lista da mergulhadora, o arquipélago brsileiro só pode ser comparado ao Caribe, onde estão as Ilhas Cayman e Bonaire, lugares também incríveis para a prática de apnéia, segundo Meyer.
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