O Ceará foi a primeira província a mostrar, na prática, que a escravidão era uma página a ser virada na história brasileira. Desde 1868, sua assembléia provincial já destinava uma verba para libertar escravos, preferencialmente mulheres e recém-nascidos. Se havia boas intenções nesta iniciativa, também era forte o motivo econômico. Para o tipo de economia que praticava - a criação de gado - os negros eram uma mão-de-obra cara, principalmente por causa da facilidade das fugas. Em relação às outras províncias brasileiras, o Ceará tinha poucos escravos. Eram cerca de 35 mil. Em janeiro de 1883, durante a visita do abolicionista José do Patrocínio, a vila de Acarape decide libertar todos os cativos. A notícia chega a Pernambuco. O Diario, nas semanas seguintes, dedicaria parte da seção "Interior" para divulgar o que acontecia com o vizinho.
 Diplomas abolicionistas foram oferecidos até ao imperador Pedro II. | No dia 16 de março de 1883, o Diario publica na sua seção "A Pedidos", uma carta de Afonso Albuquerque Melo, que demonstra a preocupação de Pernambuco em seguir o exemplo cearense. Com o título de "A Glória Maldita", ele defende que era preciso acabar com essa idéia de libertar os escravos. "A maldita gloria do Ceará veio trazer a perturbação da paz", escreve Afonso Melo. O autor firma que os proprietários deveriam ser indenizados. "Vinde, senão sois hypocrittas da liberdade e da justiça, e dizei como muitas vezes que impedindo a outros, dizei como é esta gloria do Ceará de vender toda a grande quantidade de seus escravos para aqui e para o sul, a impor a libertação dos restantes sem indenização dos senhores, assim pela espoliação, pelo roubo".
Se publicava cartas contrárias à libertação dos escravos, o Diario também abria espaço para informar aos leitores o crescimento do movimento abolicionista. A primeira notícia sobre o movimento cearense foi registrado em 17 de janeiro de 1873, quando o jornal informou que 441 escravos foram libertados em 19 municípios.
No dia 25 de janeiro, entre outras notícias de capa, o Diario apresentou um material mais abrangente sobre a ação dos abolicionistas cearenses. Através de correspondências recebidas até o dia 12, o jornal noticiava que, nos dez primeiros dias do mês, fundaram-se 11 sociedades abolicionistas na província vizinha, sendo três em Fortaleza.
Nesta mesma edição, o Diario reproduz notícia da Gazeta do Norte sobre a festa na vila de Acarape. "A grande sessão que teve lugar no dia 1º do corrente para a libertação dos ultimos escravos do heroico municipio do Acarape foi presidida pelo Sr. João Cordeiro, presidente da Sociedade Cearense Libertadora. Entre outros oradores occuparam a tribuna e foram calorosamente applaudidos os Srs. José do Patrocinio, general Tiburcio e conselheiro José Liberato. Estiveram representadas as sociedades Libertadora Cearense, iniciadora daquella festa patriotica e humanitaria, Senhoras Cearenses Libertadoras, Libertadora Acarapense,Club dos Libertos e Artistica Libertadora".
DATAS HISTÓRICAS
FEVEREIRO 11 Inauguração do serviço local de telefone em Fortaleza 18 Morte do compositor alemão Richard Wagner
JULHO 03 Nascimento do escritor tcheco Franz Kafka
OUTUBRO 20 Tratado de Paz e Amizade entre Chile e Peru
NOVEMBRO 02 Nascimento do violinista João Pernambuco 13 Nascimento do marechal Mascarenhas de Moraes
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