Evitável, completamente prevenível e potencialmente mortal. Assim é a hepatite B, uma doença que vem chamando a atenção de especialistas nas últimas décadas por se tratar de um dos tipos mais perigosos entre todas as infecções virais que acometem o fígado. E não é para menos: muitas vezes assintomática e de evolução progressiva, a doença é hoje grande responsável pela necessidade de transplantes de fígado.
Alarmante? De fato é. "Vivemos uma grande epidemia de hepatite B nos dias de hoje", constata a hepatologista do Hospital Universitário Oswaldo Cruz e coordenadora do I Inquérito Nacional de Hepatites Virais, Leila Beltrão. "Entre as hepatites, os tipos B e C são os mais graves. Além do perigo de se desenvolverem na forma fulminante - o que acontece com 1% de todas as hepatites - elas envolvem o risco de cronificação", explica. Quando isso ocorre, em conseqüência da não eliminação espontânea do vírus pelo organismo, o maior perigo é o desenvolvimento de cirroses e cânceres.
No inquérito nacional conduzido pela Universidade de Pernambuco (UPE), a hepatite B foi detectada em 0,22% da população com mais de 20 anos residente no Nordeste. Na região Centro-Oeste, esse número pula para 0,55%. "Observamos um declínio nos casos de hepatite B e um percentual maior de hepatite C".
Os resultados têm uma explicação simples: enquanto a prevenção contra o subtipo B já dispõe de uma vacina, a única forma de evitar a infecção pelo vírus da hepatite C é adotar medidas de prevenção. As infecção pelas duas formas da doença ocorre do mesmo modo: pelas rotas parenteral e sexual. "Objetos cortantes que entram em contato com sangue, como materiais odontológicos, bisturis e alicates de unha não devem ser utilizados sem a devida esterilização", aconselha Leila. Além disso, o uso do preservativo é fundamental no controle da contaminação. A hepatite B é 10 vezes mais contagiosa se comparada à Aids.
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