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Edição de Sexta-Feira, 7 de Outubro de 2005 
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Opinião
Opinião
Redesenho do emprego

Em meio às cogitações sobre os efeitos que causará à economia do Estado a instalação da refinaria "General Abreu e Lima", realçam aquelas que dizem respeito à elevação e melhoria dos níveis de emprego da mão-de-obra. Estatísticas sindicais estimam que o número atual de desempregados da Região Metropolitana do Recife esteja a beirar 340 mil trabalhadores. Ainda que se possam descontar eventuais exageros na veiculação desse algarismo, a verdade dos fatos não parece estar muito distante dele. A refinaria e a indústria adjacentes, que também se instalarão na área de Suape, deverão criar ao todo uma massa aproximada de 230 mil novos postos de trabalho. Esse número, de tão alto, dá no que pensar e planejar, sob pena de que a grande vitória do povo pernambucano não termine com a expressão que dela se aguarda.

  De pronto, passou a ser urgente o setor educacional e tecnológico se aprestarem para oferecer a esse mercado, que se abre, o pessoal habilitado à ocupação dos empregos em vista. Será tarefa hercúlea das universidades e centros de instrução técnica e administrativa prover em tão curto espaço de tempo a demanda que forçosamente se verificará a partir do momento em que se iniciem as obras do empreendimento gigante do Complexo Industrial-Portuário de Suape, no lado sul do Recife. A refinaria vem com a potência suficiente a mudar, radicalmente, o perfil de uma economia inteira quanto a economia de Pernambuco. Com ela, a economia do Estado dá uma guinada de 180 graus, a começar pela agenda e qualificação dos empregos da mão-de-obra.

  Especialistas em gás e petróleo e profissionais qualificados para os setores de comércio e serviços em geral, eis aquilo de que primeiro se cogita. A eletrotécnica e a eletroeletrônica não podem, não vão ser esquecidas num momento como o atual, na hora em que simples perspectivas se transformam em realidade atraente. Inexiste ramo ou dependência que deva ser esquecido, quando se menciona a relativa urgência dos pregões para o preenchimento dos postos de trabalho. Vamos ter que formar centenas de executivos aprestados para a gestão de empresas, sob pena de ir buscá-los noutras plagas.

  É agradável observar que numerosas entidades de ensino e pesquisa, a exemplo da Universidade Federal de Pernambuco, começam a exercitar os primeiros movimentos para a preparação da mão-de-obra que lhe corresponde. A Fundação Getúlio Vargas marcha na mesma direção, preconizando a preparação de cursos de profissionalização empresarial. Coopera com esse movimento a Agência Nacional do Petróleo (ANP), naquilo que diz respeito, em particular, à engenharia química com viés do gás e do petróleo e a geologia, engenharia e processamento do petróleo. Os pernambucanos e, por certo, os migrantes de Estados vizinhos, vão conhecer atividades profissionais novas, insuspeitadas antes do histórico anúncio da instalação e funcionamento de uma refinaria de petróleo do porte da unidade a ser construída ao sul do Recife.

  Em suma, a mobilização é geral e ampla. Nenhum segmento da instrução acadêmica e profissional se está omitindo nesta hora em que as urgências do empreendimento falam mais alto e deixam preocupações de menor vulto para outra hora.

  Por tudo quanto se vê, é repetir o que disse o Diario, em edição recente: "O mapa do emprego será redesenhado". Mas erram aqueles que imaginam que o redesenho ocorrerá apenas em nosso Estado já que ele - segundo se espera - transcenderá as próprias fronteiras desta província.


Estratégia PDVSA

Paulo Gustavo de Araújo Cunha
VICE-PRESIDENTE PARA RELAÇÕES INTERNACIONAIS DA FIEPE

A importância da parceria entre PDVSA e Petrobras, em grande parte devida à insistência de Hugo Chavez, foi bem detalhada para a delegação de empresários pernambucanos liderada pelo então presidente da Fiepe, Armando Monteiro Neto, em novembro de 2000, quando por três horas sua diretoria técnica explicitou toda a sua visão estratégica de negócios, com destaque à importância do Brasil.

  Inicialmente, o presidente da PDVSA - general Lamero- coberto de condecorações, afirmou: "Minha maior glória foi comandar o batalhão Abreu e Lima". Justifica-se assim, um dos fatores subjetivos que muito influenciou a localização da refinaria em Pernambuco.

  Constitui a Venezuela a 4ª maior reserva mundial de petróleo, tendo ainda por explorar inúmeras outras como as margens do Orenoco e sua plataforma marítima, dispondo porém, de pequeno mercado consumidor interno (com preço de gasolina baixíssimo o que provoca um acúmulo de tráfego de antigos carrões americanos), busca aumentar o consumo de seu petróleo em outros países.  Verifica-se que, apesar das divergências entre Venezuela e Estados Unidos, este país constitui um dos grandes importadores do petróleo venezuelano, onde a PDVSA, dispõe de extensa rede de postos de distribuição de combustíveis.

  O plano estratégico da PDVSA, ao incluir o Brasil em suas metas, considerava as seguintes linhas básicas:

  1 - Aumentar sua integração econômica com o Brasil, com destaque ao setor energético, em face de suas "sobras", de petróleo e gás, além da necessidade de acessar o know how de perfurações marítimas, através de parceria com a Petrobrás;

  2 - Acessar o mercado brasileiro de combustíveis através da implantação de uma rede de 200 postos de abastecimentos, sobretudo nas regiões Norte-Nordeste. Comenta-se do interesse da PDVSA em adquirir grande empresa brasileira com postos em todo o país;

  3 - Participar acionariamente numa refinaria de Petróleo no Brasil, com necessária participação da Petrobras, garantindo sua viabilidade econômico-financeira através do fornecimento de todo opetróleo necessário e assegurando, a compra dos derivados;

  4 - Viabilizar um gasoduto Venezuela/Brasil. O presidente Chavez, no auge de seu entusiasmo, anunciou: "Vamos fazer um gasoduto Venezuela/Pernambuco". No mapa apresentado, pelo presidente da Venezuela, na reunião de cúpula dos presidentes latino-americanos, nesta semana em Brasília, identifica-se um trajeto proposto para este gasoduto que atingiria Manaus e se integraria ao gasoduto Nordestão, na cidade de Fortaleza, possibilitando a chegada do gás venezuelano até Salvador.

  5 - Constituir-se supridor de gás à Unidade de Regaseificação de Gás Natural, projetada para Suape. As atuais negociações, entre Petrobras e Shell, para viabilização deste empreendimento parecem estar estagnadas, o que abre espaço para a PDVSA;

  6 - Interesse estratégico em viabilizar uma unidade de ácido acético a partir da rota gás natural/metanol, inexistente no hemisfério sul. Destaca-se que o Brasil importa todo o seu consumo de acido acético, sendo Pernambuco seu principal usuario. Os grandes projetos como Pólo Poliéster, Fibras Sintéticas e PET - M&G, Pólo Acetato Vinila-Cia. Alcoolquímica, Filmes Tereftalato-Terphane, constituem grandes consumidores.

  Identifica-se portanto, que esta parceria Petrobras/PDVSA, pode representar, especialmente para Pernambuco, uma histórica oportunidade para viabilizar outros grandes empreendimentos como um Pólo de Derivados Acéticos, com mais de 32 produtos de derivados de elevado valor agregado e, hoje, totalmente importados pelo Brasil. Como também a Unidade de Regaseificação de Gás Natural em Suape, de importância estratégica em face da crise boliviana e fundamental, para viabilizar outros empreendimentos como siderurgia de tubos sem costura, Termopernambuco e muitos outros!


Transposição: é estupidez criticar sem conhecer

Fernando Valença
ADVOGADO E JORNALISTA

Há pelo menos duas maneiras de não cometer injustiça, quando se fala mal de alguma coisa: uma é conhecer pessoalmente o que se critica, outra é ler muito a respeito. Um velho ditado diz: "Quem pouco lê, mal ouve, mal fala, mal vê".

  Nos dias atuais está sendo cometida uma descomunal estupidez, no Brasil em geral, mas o que é muito pior, aqui no Nordeste em particular, em relação ao Projeto São Francisco: a transposição. É impossível abordar as "razões" desse absurdo neste espaço de jornal, por natureza limitado, breve, enxuto. Todavia, é inquestionável que há um caráter perverso de má vontade contra o Governo, de mesquinharia contra os próprios irmãos mais carentes e de falta de bondade por parte de todos aqueles que, podendo colaborar e influir para que decisões favoráveis possam viabilizar, o mais rapidamente possível, a construção de tão essencial realização, humilhantemente se negam e até compõem uma troupe de falsos idealistas que vociferam uma "preocupação" com o "Velho Chico" que jamais tiveram; até porque, nada sabem a respeito dele... muito menos do Projeto São Francisco, contra o qual, irresponsavelmente, atiram suas ofensas!

  De repente, está na mídia que um pároco, padre ou frei, desconhecido está fazendo "greve de fome" contra a transposição, lá para os lados da Bahia. Atrás dele, uma horda cavilosa de todo tipo de "caroneiros" políticos, justamente quando se sabe que todo o processo burocrático do Projeto vem cumprindo, rigorosamente, uma trajetória de paciente submissão a tudo o que a lei exige para aquele tipo de construção pública, inclusive tolerando e atendendo a muitas outras "exigências" pleiteadas ou interpostas por meros "empata caminho", em atenção à determinação oficial de que tudo seja feito com transparência, correção e justiça. Consta que o presidente da República vai dar atenção àquele religioso, metido a "sacrificado por greve de fome" em favor do rio. (- Não! Contra a transposição, isto é, prestando-se aos caprichos inconfessáveis de quantos, não logrando prejudicar, impedi-la, legitimamente, recorrem a tudo o que a malícia humana inspira, inclusive "greve de fome", de um padre)..., mediante um ato injusto e puramente demagógico. A CNBB, que considerou-o um Projeto sério, há muito tempo, deveria chamar o grevista à ordem e S. Exa. o presidente da República mandar alertá-lo de que tem mais o que fazer e que ele trate de não "inventar" mais nada, por ex.: "terrorista"...

  Em resumo, por que é que não lêem a respeito? Qualquer um pode ler o projeto. O Ministério da Integração Nacional responde a qualquer pergunta, de qualquer pessoa, a respeito do projeto que é simples, fácil de ser entendido, racional, adequado, moderno, perfeito! Tudo foi estudado, medido, analisado, previsto, comparado; fizeram projeções de satélites artificiais, estudos e pesquisas de mais de 40 cientistas e profissionais do mais alto nível técnico; eles se empenharam na definição daquela obra humanitária que irá assegurar vida digna a milhões de sertanejos, dos cariris ressequidos do semi-árido, que padecem o tormento secular das secas e, a rigor, não vivem: eles morrem aos poucos. Quanto ao rio S. Francisco, ele será muito beneficiado, como já está sendo; na verdade, o projeto é a garantia da efetiva proteção do Velho Chico!


As múltiplas belezas de Portugal

Ricardo Guerra
EMPRESÁRIO E JORNALISTA

A música é triste, mas aconchegante. As mulheres são belas, mas retraídas. A gastronomia é rica, embora eu me contente com os pastéis de Belém. A fidalguia é traço do seu povo. Brasileiro é tratado de forma diferente. Com carinho. Ao vinho do Porto. E muito fado.

  Essas idéias, eu as concebi na década de 60 quando ainda de menor idade, conheci a terra-mãe, Portugal e os patrícios de lá. Visitei Lisboa, Porto, Fátima, Nazaré, Santarém, Cascais, Estoril, etc. Naquela época, Portugal ainda era muito pobre. Tinha uma única auto-estrada e o maior índice de tuberculose da Europa. Aliás, bem que se diga, a Europa começava após os Pirineus, na França. A Península Ibérica formada por Portugal/Espanha não era considerada Europa, como para muitos ainda não é, até hoje.

  Retornei algumas vezes e constatava sempre algumas melhorias. Claro que as belezas como do Róssio, da Avenida da Liberdade (orgulho lisboeta), das Ruas do Ouro, da Prata e Aurora, do Largo dos Comerciários, do Chiado e da Ajuda, da Alfama, da Praça dosExpedicionários, do Bairro Alto, da Estufa, do Castelo de São Jorge sempre formavam o conjunto das principais atrações turísticas, históricas e arquitetônicas de Lisboa. Eram e são incomparáveis, os monumentos a partir do Mosteiro dos Jerônimos, o Museu dos Couches, a Torre de Belém, o Monumento dos Descobridores e as duas pontes sobre o rio Tejo, já considerada, a Ponte Vasco da Gama, construída para Expo. São símbolos de Portugal, únicos no Mundo.

  Em Lisboa, as casas de danças típicas são locais de visitas obrigatórias, além de uma excelente bacalhoada. Portugal, apesar de ser um país territorialmente pequeno, menor que o nosso Pernambuco, tem uma diversificação paisagística que poucos países europeus possuem: montanhas, litoral, praias, lagos, planície, cidades históricas, oceano e mar o que possibilita uma montagem das mais variadas opções, caso se fosse, por exemplo, representar ou reproduzir os seus belos azulejos. Há temas para tudo. Seria um imenso e belíssimo painel.

  A partir de 1994, quando os investimentos da Comunidade Européia entraram país adentro, Portugal virou um canteiro de obras. Lisboa ficou intransitável. O Porto, do mesmo modo. Mas em troca dos investimentos dos europeus, Portugal obrigava-se se manter desenvolvido, com índice de crescimento e desenvolvimento, de acordo com os parâmetros da Comunidade Européia, taxas de inflação e desemprego dentro dos limites toleráveis.

  Efetivamente, após entrar como país-membro na Comunidade Européia, Portugal é outro país. Há pujança. Traços e características que só se via após os Pirineus, já podem ser comparados e equiparados em Portugal. O atual formato viário do Róssio é um exemplo, destacando-se o imponente Teatro D. Maria II. É um formato, tipicamente, europeu.

  O turista encontra excelentes hotéis não mais limitados ao Tivoli, na Liberdade. Encontra uma cadeia de cassinos espalhados pelas diversas regiões do país; um excelente balneário instalado no Faro, na região do Algarves; belezas diversas sobretudo cultural e típica no Alentejo; e a região Norte, a mais rica e próspera de Portugal onde se sobressaem às cidades do Porto, Braga, Minho, Bragança, Vila Nova de Gaia, dentre outras.

  O Turismo ainda tem em Coimbra, uma referência mundial como centro cultural e Fátima, para atender a vertente religiosa.

  Visite Portugal. Desprevenidamente. O país não se preparou, apenas para a Expo. O país está preparado para o Mundo.


Corruptos, arcaicos e modernos

Abelardo Baltar
COORDENADOR DO FÓRUM PE SÉCULO XXI

Existem corruptos e corruptos. Eles não agem de forma igual. É bom ficar claro, quando se considera essa minha afirmativa, que não pretendo estabelecer nenhuma hierarquia em relação às culpas dos corruptos. Pretendo, sim, comentar algumas das " metodologias" empregadas "na arte da corrupção", classificando-as como modernas ou arcaicas, segundo os valores e parâmetros tecnológicos de nossos tempos. Há, por exemplo, gatunos supermodernos, aqueles que invadem as contas bancárias dos outros pela Internet, apropriando-se do dinheiro alheio de maneira tecnologicamente sofisticada. Não usam a violência (física ou moral) e nem criam constrangimentos físicos para suas vítimas. Causam-lhes surpresas. Tristes surpresas. Trata-se, não se tenha dúvida, de uma forma "elegante" de fazer corrupção, o que não significa que por isso seus autores mereçam a absolvição. Devem ser punidos com todos os rigores da lei. Na outra ponta há os corruptos pré-capitalistas, guiados, sobretudo, pela mentalidade predominante de fazer política em vários municípios interioranos, sobretudo os das regiões mais atrasadas do País. Atuam, com desenvoltura, tanto no referido "meio de origem" como nos centros mais avançados da sociedade urbana. Usam métodos poucos requintados, tipo extorsão, por exemplo, como foi desvendado agora no Congresso. Essa "metodologia" implica, geralmente, em sérios constrangimentos morais para as vítimas. É um crime grosseiro, primário, incompatível com o que seria modernidade nesses tempos de transição da passagem de uma sociedade industrial para uma pós-industrial, cujo principal suporte é a ciência da informação.

  O pecado do corrupto de mentalidade pré-capitalista seria duplo: a corrupção em si acrescida de uma postura extremamente antiquada em relação à maneira de agir numa sociedade que caminha para pós-modernidade. Achacar os que detêm pequenas concessões no setor público, além se ser uma atitude extremamente covarde e desonesta, é um comportamento sumamente primário. Um comportamento atrasado. E ser atrasado nos momentos de rápidas transformações da sociedade não deixa de ser, também, um pecado, nesse caso um pecado de natureza histórica. Entre a corrupção supermoderna dos que invadem as contas bancárias e a corrupção pré-capitalista antiquada existe uma imensa área ocupada por outros tipos de corrupção. Veja-se, por exemplo, a do tipo stalinista, praticada recentemente por parte da cúpula do PT. É aquela velha distorção de misturar partido do Governo com o próprio Governo, achando que os recursos arrecadados do contribuinte podem ser utilizados, indistintamente, por um ou por outro. Além de se constituir em ilícito, trata-se de um comportamento arcaico, já que o stalinismo de há muito é considerado superado.

  Os exageros chegaram a tanto, nesse caso, que foram tomadas atitudes inimagináveis pela direção do PT, e a luz do dia. Exemplo: empréstimo que Genoino conseguiu para o PT, num banco da praça, com o aval de Marcos Valério, este último um empresário que detinha contratos superiores a R$ 200 milhões dentro do Governo. Na realidade, o que houve, ao que tudo indica, foi uma transferência de recursos dos cofres públicos para o Partido. O banco e o empresário representaram, apenas, os meios utilizados para se concretizar essa transferência. Observe-se que Marcos Valério atua num campo, o do marketing, em que o TCU e órgão similares não dominam completamente o valor dos serviços contratados, ao contrário do que ocorre, por exemplo, com o campo da engenharia. Então pode-se supor que muitos desses serviços foram superfaturados, o que facilitou, em muito, realizar essa operação. Observe-se que quase todos os passos da referida operação ficaram registrados, como se fosse muito natural fazê-la.

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