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Movido por grandes desafios
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Pernambucano de coração, o físico Sérgio Rezende é atual ministro da Ciência e Tecnologia |
Mirella Falcão Especial para o DIARIO |
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"A física é para quem gosta de desafios". É assim que o físico e atual ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, encara a profissão. Carioca de nascimento e pernambucano de coração, Rezende comemora hoje, 3 de outubro, 65 anos de idade e mais 40 de uma sólida carreira na física como professor, pesquisador e gestor de políticas para o desenvolvimento da ciência no Brasil.
 Rezende se apaixonou pela Física e fez doutorado nos Estados Unidos. Foto: Bruno Radicchi/Divulgação. | O amor pelas ciências exatas surgiu no colégio, quando começou a ter aulas de física, matemática e química. "Fui levado a desafios que não conhecia em outras disciplinas. Tinha que encontrar soluções únicas, lançando mão de fórmulas matemáticas e raciocínios lógicos. A partir daí, de um aluno mediano no 1º grau, me transformei em um dos melhores alunos da minha turma", conta o ministro.
No entanto, na época em que concluiu o segundo grau, quase não havia faculdades de física. "Era muito raro, na década de 50, alguém fazer física. Não havia informação na sociedade sobre o papel do profissional", diz. Então, aconteceu com Sérgio Rezende o mesmo que ocorreu com muitos físicos que conhecemos atualmente: graduou-se em engenharia, mas sem deixar a física de lado. "Enquanto estudava engenharia eletrônica na PUC do Rio de Janeiro, era monitor do laboratório de física básica", conta.
Quando terminou o curso em 63, decidiu, então, mergulhar de vez na área da física e viajou para os Estados Unidos, onde fez o mestrado e o doutorado na Massachusetts Institute of Tecnology. "Meus trabalhos desta época foram publicados em revistas de física aplicada. Esse foi o início da minha carreira de pesquisador", afirma Rezende.
Retornando ao Brasil, em 67, foi contratado pelo Departamento de Física da PUC do Rio de Janeiro. "Mas como todo pesquisador é sempre inquieto, acabei entrando de cabeça em um projeto para criar um grupo de pesquisa na Universidade Federal de Pernambuco. Foi aí que eu virei pernambucano", brinca o ministro.
Quem trouxe Sérgio Rezende ao Recife foram os seus ex-alunos do mestrado na Puc, Cid Araújo e José Rios Leite, hoje professores de física da UFPE. Eles vieram para o Recife com o objetivo de montar um centro de pesquisa nessa área, já que não havia mestrado na cidade. "Eles precisavam do apoio de alguém com doutorado e por isso me mudei para aqui, em 72", diz.
Em 1990, Rezende assumiu a direção da Facepe, primeira fundação de apoio científico do Nordeste, criada pelo ex-governador Miguel Arraes. Era o momento de superar mais um desafio. "Queria promover uma melhor gestão da política científica em Pernambuco".
Ministério - Depois, foi indicado para o cargo de secretário Estadual de Ciência e Tecnologia, no terceiro governo de Miguel Arraes, durante os anos de 95 a 98. Este ano, recebeu, talvez, a maior prova de reconhecimento por tantos anos de dedicação: o convite para assumir o Ministério da Ciência e Tecnologia. Aceitou. Abriu mão da presidência da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que comandava desde 2003.
Por suas atividades acadêmicas e científicas, Sérgio Rezende recebeu, em 1988, a ordem do Mérito Educativo concedida pelo MEC e em 1995, a Comenda da Ordem do Mérito Científico, concedida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. No último mês de setembro, foi agraciado com o Prêmio Bünge de Física.
Com três filhas, cinco netos e um segundo casamento que dura quinze anos, com a pesquisadora do Itep-PE, Adélia Araújo, Sérgio Rezende tenta dividir a paixão pela física com a família, pois nem no ministério parou de trabalhar em suas pesquisas. "Einstein já dizia que quando estava resolvendo um problema não pensava em outra coisa. De manhã, de tarde e de noite. O prazer da física é essa busca incessante por novas soluções".
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