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Atualizado em 03|10|2005 
Guia de Profissões | "Física médica é área de expansão"
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GUIA DE PROFISSÕES
"Física médica é área de expansão"
palavra do empregador
Cristina Sobreira
Especial para o DIARIO
Inaugurado no dia 20 de julho deste ano, o Centro Regional de Ciência Nuclear (CRCN) desenvolve pesquisas nas áreas de caracterização química e análises ambientais, metrologia, dosimetria e radioproteção, além de fazer atendimentos a emergências radiológicas, no caso de acidentes nucleares. O centro, ligado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) do Rio de Janeiro, realiza os serviços de análises radiométricas e de vestígios de substâncias químicas contaminantes e dispõe dos serviços de calibração e dosimetria química de equipamentos utilizados para medição de radiações ionizantes. O físico Cláudio Menezes, 36 anos, é chefe do serviço de física médica do CRCN, que, atualmente, oferece apoio a órgãos de fiscalização, como a vigilância sanitária dos estados e municípios, na avaliação da qualidade de equipamentos de raios X. O Centro está desenvolvendo, entre outros estudos, um programa de controle de qualidade em equipamentos de mamografia. Formado há 9 anos pela Universidade Católica de Pernambuco, Cláudio Menezes, fez mestrado pelo Departamento de Engenharia Nuclear da UFPE. Ele desenvolveu um instrumento para medir as doses necessárias para os pacientes submetidos a tratamentos de radioterapia, na luta contra o câncer. Atualmente, em sua tese de doutorado, vem desenvolvendo um aparelho que irá avaliar os equipamentos de raios X utilizados pelos dentistas nos consultórios. Além da descoberta, outro ponto importante será a facilidade de fiscalização. Isso porque, o medidor será enviado via postal, por ser pequeno e de fácil locomoção. O físico conversou com a reportagem do Diario de Pernambuco e falou sobre as áreas promissoras de atuação para quem está chegando ao mercado.


Cláudio menezes, do CRCN, desenvolve um aparelho para raios x odontológicos. Foto: Jaqueline Maia.
Diario de Pernambuco - Qual a área mais promissora da Física para um profissional recém-formado?

Cláudio Menezes - Há uma necessidade, no Brasil e no mundo, do profissional formado em física, com especialização em física médica. No Estado, a primeira graduação em física médica só começou a ser oferecida no primeiro semestre de 2002 pela Universidade Católica de Pernambuco. O mercado de trabalho está cada vez mais amplo. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) exige que se tenha nos ambientes de trabalho com radiações ionizantes um especialista em física médica, que responde por esses procedimentos. É uma área que está em crescimento. O Recife é um dos maiores pólos médicos do país, com novas tecnologias e com novos tipos de exames em radiodiagnóstico médico.

DP - Como um físico pode se especializar?

CM - A Associação Brasileira de Física Médica realiza, anualmente, uma prova para que o físico adquira o título de especialista nas áreas de radiodiagnóstico, medicina nuclear e radioterapia. É a única instituição que faz esta prova de título no Brasil. É um outro caminho, para os que não fizeram a graduação em física médica.

DP - Onde um físico médico poderá trabalhar?

CM - Nas clínicas de radiodiagnóstico e de radioterapia. Onde tem radioterapia em Pernambuco você encontra um físico médico. Também nas clínicas de medicina nuclear. Na medicina nuclear e na radioterapia já é uma tendência. Existe um norma que nas clínicas têm de ter um físico em medicina. Para a área de radiodiagnóstico o mercado ainda está em crescimento. Embora o regulamento técnico (portaria 453) da CNEN reconheça a necessidade de alguns documentos serem atestados por um físico, especialista em radiodiagnóstico.

DP - O que faz um físico especialista em radiodiagnóstico?

CM - Cuida de toda a parte de proteção radiológica, controle de qualidade dos equipamentos, procedimentos que são utilizados, proteção do trabalhador e do público em geral.

DP- Como atua um físico médico nessas clínicas?

CM - O físico seria um supervisor de proteção radiológica que vai fazer com que todas as práticas sejam efetuadas com segurança tanto para o paciente como para o público. Então, ele atua junto com o médico desde o planejamento do tratamento do câncer até a rotina de todo serviço em relação à proteção radiológica. Em medicina nuclear, juntamente com o médico, ele atua nos planejamentos dos exames de diagnóstico e também com os cuidados referentes à proteção radiológica e controle de qualidade dos equipamentos. Também é exigido um físico no serviço de medicina nuclear por conta dos problemas dos rejeitos. Depois que algum paciente faz algum procedimento, aquelas roupas têm de ficar um certo período de tempo armazenadas para que depois possa ser utilizada novamente. Exatamente o tempo de decaimento radioativo dos materiais, exames ou terapia que são usados em medicina nuclear.

DP- Quais seriam outras áreas para o físico?

CM - A carreira acadêmica. O físico pode escolher entre ser pesquisador ou professor. As indústrias de papel, de bebidas, cigarros seriam outros exemplos. Nelas existem medidores nucleares e para que elas funcionem é necessário um supervisor de proteção radiológica. Esse seria também um campo em que um físico pode atuar. Dosimetria é mais uma área de atuação. Nesse segmento, o físico calcula a dose que precisa ser administrada ao paciente, dependendo da patologia.

DP- Qual é a remuneração média?

CM - Em radioterapia, nas regiões Norte e Nordeste, os salários variam entre R$ 2 mil e R$ 10 mil. No Sul e no Sudeste os salários chegam a ser maiores. Como funcionário público, a carreira de pesquisador e tecnologista, como tem no Ministério da Ciência e Tecnologia, os salários variam entre R$ 1,5 e R$ 4 mil.

DP - Qual seria o perfil desse profissional?

CM - Os estudantes devem gostar de física, cálculo e matemática e também da área de saúde. Uma vez que a física médica engloba a parte tecnológica utilizada pelos hospitais e clínicas. Por isso precisam conhecer anatomia, saber como o organismo interage ao ser irradiado e os efeitos biológicos da radiação.

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