Na hora de tirar a carteira de habilitação, um dos vários testes exigidos costuma chamar a atenção. Diante de lâminas impressas, o examinador questiona sobre a letra ou número que o candidato é capaz de ver em meio a inúmeras bolinhas coloridas. Parece elementar, não? E de fato o é na maioria das vezes. Mas quando o futuro motorista faz parte dos 8% da população que sofre de daltonismo, a resposta não é tão simples assim.
Também chamado de discromatopsia, a dificuldade de distinguir cores - quase uma exclusividade masculina, já que os homens respondem por 97% dos casos - é resultado de um defeito genético na retina que atinge especificamente as células responsáveis pela percepção das diferentes matizes. O distúrbio interfere mais comumente na diferenciação do vermelho e do verde, mas também pode afetar a identificação do azul e do amarelo.
E é exatamente daí que vem a necessidade do teste - simples e rápido - para a emissão da carteira de motorista. Mas ao contrário do que muita gente pensa, mesmo sem a habilidade de distinguir duas cores cruciais na sinalização do trânsito - o vermelho e o verde - o candidato daltônico pode sim dirigir. "O daltonismo não é um impedimento absoluto para que a pessoa seja autorizada a dirigir", diz a oftalmologista do Hope/Esperança Danielle Lima. De acordo com ela, basta que seja realizado um treinamento especial. "Um daltônico pode não distinguir a cor, mas percebe perfeitamente as luzes de um semáforo". Como este tipo de sinalização é uma convenção mundial, a única necessidade é de que ele aprenda as posições que correspondem aos sinais vermelho e verde.
Esta educação ambiental, na verdade, é a única maneira de facilitar a vida dos daltônicos. "O distúrbio pode aparecer em vários graus, mas independente disto não há, até agora, um tratamento eficaz. Por isso, os portadores têm que aprender a conviver com o problema e podem ter uma vida completamente normal".
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