LONDRES - Um novo dado revelado pelo Ministério do Interior britânico comprova que o chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Ian Blair, tentou oficialmente impedir uma investigação independente do assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes. Numa carta que enviou ao ministério duas horas e meia após a Scotland Yard matar o eletricista brasileiro, no dia 22 de julho, o comissário pede permissão para passar por cima da lei do país de forma que o IPCC (Comissão Independente de Queixas contra a Polícia) não tivesse acesso a informações relevantes a respeito do caso. A atuação da polícia londrina foi tema de um duro artigo do ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, publicado ontem pelo diário britânico The Guardian. No texto, Amorim diz que Jean Charles sofreu "execução sumária".
Na carta, Blair diz que "essa investigação será rigorosa, mas subordinada às necessidades à operação de contra o terror. Numa situação (...) na qual homens-bomba são uma possibilidade concreta, um oficial depolícia deve poder suspender o decreto de Reforma da Polícia de 2002 que nos obriga a fornecer todas as informações que o IPCC solicitar".
Em outro trecho, ele acrescenta: "Há muita preocupação em revelar nossas táticas e as fontes de informação com as quais estamos operando (...). Portanto eu dei instruções para que a morte que acabou de ocorrer (na estação de metrô de Stockwell) não seja remetida ao IPCC e que a eles não seja dado nenhum acesso à cena neste momento".
O chefe da Scotland Yard acrescenta que "o papel do IPCC de fornecer o máximo de informações possível aos reclamantes e às famílias das vítimas (...) pode colocar vidas em risco".
Ao responder a carta, o secretário permanente do Ministério do Interior, John Gieve, disse que, apesar de entender as pressões que recaíam sobre a polícia, não era possível atender ao pedido. Uma cópia do documento foi enviada por Ian Blair ao IPCC na época.
A carta foi divulgada pelo próprio Ministério do Interior, com base no decreto de Liberdade de Informação do Reino Unido, e joga ainda mais pressão sobre Blair, cuja renúncia foi exigida pela família de Jean Charles.
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