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Edição de Sábado, 1 de Outubro de 2005 
Mundo | Hugo Chávez surpreende Brasília
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MUNDO
Hugo Chávez surpreende Brasília
Na 1ª Cúpula Sul-Americana de Nações, reclama da falta de avanço
BRASÍLIA - A primeira reunião de cúpula da Comunidade Sul-Americana de Nações, que ocorreu em Brasília, acabou com uma discussão pública entre seus principais entusiastas, o Brasil e a Venezuela, o que, na prática, pôs sob risco os resultados do encontro entre 12 países. O desentendimento ocorreu quando o presidente venezuelano, Hugo Chávez, sinalizou que não assinaria a Declaração de Brasília, ameaçando, por minutos, derrubar os esforços brasileiros pela integração. "Não vou assinar. Estamos começando muito mal aqui", disse, diante de seis chefes de Estado e de outros cinco representantes de países, em reunião transmitida ao vivo por rádios e TVs da América do Sul.

  A surpresa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do chanceler Celso Amorim foram grandes, já que Chávez vinha demonstrando empolgação com a reunião, ao contrário de outros chefes de Estado. Os presidentes da Argentina e do Paraguai reservaram poucas horas para o evento. E o presidente do Uruguai não compareceu.

  Chávez só voltou atrás e decidiu assinar a declaração depois de ouvir pedidos acalorados e irritados de Lula, do presidente Alejandro Toledo (Peru) e de Amorim. Mesmo assim, somente o fez sob a condição de que os debates sejam retomados em 90 dias, quando ocorrerá uma cúpula do Mercosul para a qual os membros da CAN (Comunidade Andina de Nações) estão convidados.

  O presidente venezuelano reclamou da falta de avanços concretos na estruturação institucional do bloco e chegou a dizer que seu país não participou da discussão de pontos do documento. "Desse jeito, teremos alguma coisa concreta no ano 2200", disse Chávez.

  O que se seguiu foi uma negociação diplomática tensa. Primeiro, Lula reagiu de forma dura: "A prevalecer a posição do presidente Chávez, nós sairemos daqui paralisados como chegamos". A seguir, fez a proposta de aprovar pontos comuns da declaração e reexaminar, num prazo de 90 dias, os pontos polêmicos.

  Em uma argumentação de convencimento desesperada, Celso Amorim pediu um voto de confiança ao Brasil e afirmou quea Carta de Brasília não é um tratado, mas uma declaração política provisória. "Essa é uma declaração quase provisória, não damos esse nome para não tirar sua força, mas, na realidade, é isso", disse. Na tentativa de mudar a posição de Chávez, Amorim se dirigiu ao venezuelano primeiro em português e, depois, em espanhol.
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