Casa vazia (Bin-jip, Coréia do Sul/Japão, 2004), estréia do Cinema da Fundação, traz de volta ao Recife o cinema de Kim Ki-Duk, o diretor de Primavera, verão, outono, inverno... e primavera. Não gostar do primeiro não impede, necessariamente, a apreciação do segundo. Lidando com temas que lhe são caros - o amor, a carne, o desejo, a posse - e mantendo a mão leve, a conduzir a narrativa com suavidade, o diretor apresenta um conto de amor zen, um triângulo amoroso com arestas de espiritualidade, um encantamento que se dá entre um solitário lone ranger que invade as casas alheias apenas para delas usufruir e nada roubar e uma esposa negligenciada.
 | A impotência sentida por ela, que apanha do marido, assemelha-se a dele, que não reage, por exemplo, quando é pego no lar de alguém. Por isso mesmo, por estarem à deriva, em desencaixe com o mundo que de várias formas os atormenta, os dois se apegam, e essa ligação transcenderá qualquer limite de linearidade. Casa vazia, com seus planos estáticos, seus silêncios que muito expressam e sua proximidade com o universo zen, é um deleite para quem medita, ama ou acha que o cinema pode divertir e fazer refletir.
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