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Edição de Sexta-Feira, 2 de Setembro de 2005 
Vida Urbana | Justiça manda soltar líderes de movimento
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VIDA URBANA
Justiça manda soltar líderes de movimento
Os cinco sem-teto presos desde o dia 23 de agosto durante a desocupação de um casarão na rua Velha foram libertados na tarde de ontem, após autorização do juiz da 9ªvara Criminal da Capital, José Cauby Arraes. Contrariando um despacho expedido há dois dias pela juíza substituta Sandra Arruda Beltrão, o juiz titular concedeu o pedido de liberdade provisória solicitado pelos advogados do grupo.

  No teor da decisão, o magistrado relembra o conflito com a Polícia que ocasionou nas prisões, além de relatar o estado de saúde do líder do Movimento de Luta e Resistência Popular (MLRP), Marcelo Gerson de Paula. Ele acabou perdendo a visão no olho direito ao ser atingido por uma bala de borracha e ainda está internado no Hospital da Restauração (HR). "Nós somos pessoas que não matamos ninguém e não roubamos. Apenas lutamos para garantir o direito a uma moradia digna. Ficar preso como bandido era incompreensível", apontou Marcelo.

  Cauby Arraes afirmou que a situação de Marcelo acabou contribuindo para a decisão, bem como o apelo realizado durante a passeata de ontem. Acauã Rodrigues de Souza, 21, Delington Inácio Pereira, 22, Wellington da Silva Nascimento, 23, e Rodrigo Salviano de Lira, 22, estavam presos no Centro de Triagem de Abreu e Lima (Cotel) e foram liberados após a chegada dos advogados.

  Os sem-teto afirmaram que foram bem tratados nos oito dias em que ficaram na unidade prisional. Segundo o grupo, algumas peças de roupa foram cedidas pelos próprios presos. "Me arrependi. Vou pensar duas vezes antes de fazer isso. Não acho que a culpa seja a nossa ou da Polícia. A culpa é da Prefeitura do Recife", declarou Acauã.

  Depois de visitarem Marcelo no HR, os quatro sem-teto voltaram para uma casa na rua Velha ocupada pelas famílias. O imóvel fica em frente ao casarão ocupado durante o reintegração de posse, que acabou pegando fogo no confronto entre os sem-teto e a PM. O casarão de dois andares, que ficou com a estrutura comprometida após a ação do incêndio, não foi vistoriado até a noite de ontem porque o proprietário não tinha sido notificado. O proprietário da casa ocupada atualmente pelas famílias obteve um mandado de reintegração de posse, mas nenhum oficial de justiça compareceu ao local.

  A situação dos cerca de 40 ocupantes da casa será relatada hoje, durante uma audiência pública na Assembléia Legislativa de Pernambuco. O vereador de Olinda e advogado Marcelo Santa Cruz adiantou que a defesa vai procurar evitar que os sem-teto sejam condenados por formação de quadrilha. "Na nossa visão, eles só poderiam ter cometido crimes mais brandos, como resistência à prisão", apontou.
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