Um engarrafamento de cinco quilômetros complicou a vida de quem circulou durante a manhã de ontem pela avenida Mascarenhas de Morais, uma das mais importantes vias da Zona Sul. O congestionamento que parou por três horas a avenida foi provocado por um protesto organizado por sem-tetos. A passeata, que seguiu rumo ao Palácio do Campo das Princesas, tinha como objetivo pedir o afastamento do comandante do Batalhão de Choque, coronel Luiz Meira, que coordenou a retirada de famílias ligadas ao Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) de um casarão na rua Velha, no dia 23 de agosto.
O protesto, que interditou completamente a pista no sentido Zona Sul/Centro, provocou longas filas de ônibus, irritando passageiros que ficaram retidos nos coletivos. A estudante Ana Adelma, 16 anos, que estava acompanhada de mais seis colegas em um ponto de ônibus, esperou por um coletivo por mais de uma hora. "Nós não temos outra forma de voltar para casa. Acho isso tudo um absurdo", afirmou. Na tentativa de organizar o fluxo deveículos, a Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) deslocou 20 agentes para a área. Na Mascarenhas de Moraes circulam diariamente 45 linhas de ônibus.
Um dos primeiros motoristas impedidos de passar por causa da marcha dos sem-teto, o professor Jaime de Albuquerque, 62, ficou revoltado porque perdeu uma consulta médica devido ao atraso. "É muita falta de respeito uma coisa dessas. Quase toda semana tem protesto aqui agora. Eu tinha uma consulta marcada, mas não vou conseguir chegar", disse Jaime. Com opinião semelhante, a contadora Janete Padilha, 64, chegou a sair do carro devido à lentidão da passeata. "Alguém tem que tomar alguma atitude contra esse tipo de manifestação, que prejudica todo mundo".
Afastamento - Com vários cartazes e faixas e gritando palavras de ordem, os manifestantes pediram, durante toda a passeata, o afastamento do coronel Luiz Meira. A passeata reuniu integrantes de seis movimentos sociais. Segundo o coordenador estadual do MTL, Marcelo Adriano, Meira é apontado pelos sem-teto como o principal responsável pela lesão sofrida por Marcelo Gérson de Paula, durante a desocupação do Casarão da rua Velha - apesar dos sem-teto terem resistido ao cumprimento de um mandado de reintegração impetrado pelo dono do imóvel.
Marcelo Gérson perdeu a visão depois de ter sido atingido no olho direito por uma bala de borracha disparada por um policial do BPChoque. A dona de casa Ana Paula da Silva, 27, também alegou ter sido agredida durante uma ação de despejo do BPChoque, há cinco anos, quando estava grávida de oito meses. "Naquele dia os policiais não respeitaram ninguém".
Ao chegar na avenida Dantas Barreto, os agentes da CTTU fizeram um desvio na contramão da avenida para facilitar o acesso até o Palácio. Lá, 30 PMs da Casa Militar não permitiram a aproximação do carro de som, mas os sem-teto queimaram dois caixões simbolizando a morte de Meira. Um comitiva formada por cinco sem-teto foi recebida pelo assessor do Gabinete Civil, Francisco de Assis. Eles entregaram ainda uma pauta de reivindicações ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador José Macêdo Malta.
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