BAGDÁ - Milhares de pessoas assistiram ontem aos funerais dos centenas de xiitas que morreram pisoteados, sufocados ou afogados durante uma procissão religiosa em Bagdá na quarta-feira, após boatos de que um homem-bomba estava prestas a explodir. Iraquianos comuns e políticos locais exigiam do governo uma explicação sobre a possível influência do precário esquema de segurança sobre a tragédia que ontem custou a vida de pelo menos 965 pessoas.
O primeiro-ministro interino do Iraque, Ibrahim al-Jaafari, ordenou ontem a formação de uma comissão para investigar o incidente e autorizou o pagamento de uma compensação equivalente a pouco mais de R$ 4.800 para a família de cada vítima.
"Este crime odioso cometido contra os peregrinos do imã Musa al-Kazem é a demonstração da salvageria dos terroristas que conduzem um genocídio contra o povo iraquiano", disse o presidente interino do Iraque, Jalal Talabani. A tensão e a confusão persistiam um dia depois do evento com maior perda de vidas no Iraque desde a quedado regime liderado por Saddam Hussein, em abril de 2003.
Tiros foram disparados durante um protesto na ponte onde ocorreu a tragédia, causando a morte de uma menina de 12 anos e deixando mais quatro pessoas feridas. Na cidade xiita de Najaf, ao sul de Bagdá, mulheres debruçavam-se aos prantos sobre os caixões de seus entes queridos e esmurravam um próprio peito num tradicional gesto de luto entre os muçulmanos.
Homens carregavam os caixões enrolados em bandeiras iraquianas até o Vale da Paz, o maior cemitério do mundo, onde a maioria dos iraquianos deseja ser sepultada. Outros foram enterrados em Cidade Sadr, um paupérrimo bairro bagdali de cerca de 2 milhões de habitantes de onde era originária a maior parte das vítimas da tragédia de quarta-feira.
O Ministério da Saúde do Iraque colocou em 965 mortos e 439 feridos o número de vítimas do pânico iniciado numa ponte sobre o Rio Tigre no bairro de Khadimiya depois do surgimento de rumores segundo os quais um homem-bomba estaria prestes a atacar."Isso foi resultado da performance inadequada dos ministros do Interior e da Defesa", criticou Baha al-Aaraji, um deputado xiita.
|