Seu primeiro livro foi escrito quando ele tinha 56 anos de idade. Prestes a completar 70, em outubro, lançará o seu 13º. Durante esse tempo, conquistou mais de 40 mil leitores. Os caminhos que o levaram a escritor passaram primeiramente pela descoberta da biologia do amor - nada tem sentido se não existir uma relação afetiva. Essa descoberta foi feita aos 30 anos, quando ingressou na primeira turma de Psicologia da Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro. De lá para cá, passaram-se 35 anos. Das experiências próprias e dos pacientes, surgiu a necessidade de transmitir mensagens de amor, compreensão, dedicação. Isso para filhos, companheiros, amigos, colegas de trabalho. Eis que hoje, a figura do psicólogo Luiz Schettini Filho se confunde com a do escritor apaixonado pelo ser humano e vice-versa.
 Schettini fez Teologia, Psicologia e Filosofia para compreender melhor seus pacientes. Foto: Alcione Ferreira. | "Fiz Psicologia não para encontrar soluções para os meus problemas. Eu sabia que o curso iria me levar a ajudar as pessoas. Isso era o que eu queria para minha vida", resume Schettini. Ele não acredita na recuperação de uma pessoa sem que essa busca não esteja embasada numa relação afetiva. Em todos os sentidos. Até recuperação física, em determinadas circunstâncias. "Eu comungo muito com a posição do biólogo chileno Humberto Maturana, que não concebe a compreensão dos relacionamentos e da evolução da humanidade sem estar baseada na biologia do amor. Só isso faz sentido", prega.
Conhecido por defender a adoção como forma pura de amar outra pessoa, Luiz Schettini pôs em prática esse desafio. Seus cinco filhos, o mais velho com 31 anos e o mais novo, com seis, são adotivos. Essa temática foi pano de fundo para quatro de seus livros. "Não havia muita coisa escrita nessa área e então quis passar um pouco sobre a minha experiência pessoal e de pacientes que se completaram ao adotar crianças", salienta.
Ele defende que adotar filhos é como gerá-los. "Quem gera filhos é genitor, não é nem pai nem mãe. Assim como um filho gerado, biológico, vem de dentro. O filho adotivo também vem de dentro, construído por uma relação deafeto", defende.
E dessa feliz relação de amor com seus filhos saiu a idéia do próximo livro, que será lançado na Bienal do Livro, no Centro de Convenções, em outubro. "Há dois anos, na véspera do Dia dos Pais, fiz uma carta com cinco páginas para os meus filhos. Resolvi socializá-la e aumentei de cinco para cinquenta. Virou um livro. Quem já o leu diz que ele é muito tocante. Se chamará Conversa de Pai", diz, entusiasmado. Assim como os demais, a Bagaço ficou responsável pela edição e publicação.
Mas quem o vê escrevendo percebe que além de um pai apaixonado e de um psicólogo experiente há mais bagagem nessa figura que nos dá tantas lições. Antes de enveredar pela Psicologia, Luiz Schettini Filho estudou Teologia, atuou como pastor em Igreja Evangélica, no Rio de Janeiro, para onde se mudou aos sete anos de idade com a família, oriunda de Garanhuns, em plena Segunda Guerra Mundial, em 1942.
Entre os 20 e 30 anos, trabalhou como jornalista, redator de programa na Globo, publicitário. Viajou 27 países.Cansou dessa vida agitada. "Cheguei na Psicologia e me encontrei. Depois, senti mais necessidade de aprofundar meus conhecimentos e fiz Filosofia. Aconselho os estudantes a fazerem esse curso também. Assim, compreendemos melhor o todo e poderemos ajudar mais rapidamente quem nos procura", ensina.
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