Para o ginecologista Hosmar Marques de Almeida, o ritual já é sagrado. Ao meio-dia é hora de dar uma pausa nos atendimentos, fechar as cortinas, deitar no sofá e dormir um pouco. Logo após o almoço, o médico, que mora e trabalha em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, tira o seu cochilo e as pacientes precisam esperar. "São apenas 15 ou 20 minutos. A secretária já sabe e marca as consultas com esse espaço para o almoço e para a sesta. O resultado vale a pena. Fico muito mais disposto", argumenta Hosmar.
Esse cochilo revigorante, tradicional em países latinos e de clima quente, perdeu muito espaço para a economia capitalista, onde tempo é dinheiro. No Recife, a maioria das lojas comerciais não fecham no horário do almoço, apesar de, segundo a médica ortomolecular Diana Campos, a sesta estar voltando a ser uma prática das grandes empresas nos Estados Unidos e no Japão. "Eles fazem um esquema de revezamento para que o atendimento não pare, mas estão dando o valor necessário ao cochilo vespertino.
A própria Agência Espacial norte-americana (Nasa) realizou uma pesquisa e garantiu os efeitos da sesta", disse a médica. O estudo da Nasa concluiu que 40 minutos de repouso, no meio de uma jornada, podem aumentar em até 34% a performance das pessoas no trabalho.
"Depois que você se alimenta, o corpo entra em um processo dinâmico e a pressão sangüínea cai, naturalmente, para a digestão. Com o calor, essa queda de pressão é ainda maior e há uma desaceleração metabólica, uma queda nos hormônios estressores e um aumento da Dopamina e da Cerotonina, que fazem o organismo relaxar", explica Diana Campos. Segundo a médica ortomolecular, apenas 15 minutos já são satisfatórios para o relaxamento.
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