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Edição de Segunda-Feira, 29 de Agosto de 2005 
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Opinião
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Mão forte
Anuncia-se que o Governo federal está devotado a dar início, ainda no decorrer deste ano, ao programa da adição do óleo de mamona e outras espécies vegetais ao combustível que move parte da nossa frota de veículos transportadores. Já que o País não teve tempo de criar uma "cultura" de transporte ferroviário e marítimo, tornou-se enorme e dispendioso para a economia nacional transportar a produção em cima dos caminhões movidos quase 100% a óleo diesel.

  É programa ambicioso, tão ambicioso quanto o foi no seu tempo, o programa do álcool combustível. É verdade que o Proálcool levou tombos assinaláveis como aquele que ocorreu, três décadas atrás, da diminuição do preço dos combustíveis à base do petróleo. De repente, a gigantesca estrutura econômica do álcool-combustível que o País construiu e montou veio de se apresentar ociosa e destrutiva de milhares de projetos bem intencionados. A diminuição e a estabilização dos preços do petróleo praticamente fizeram sumir do mapa o grande sonho de governos, produtorese peões empenhados na produção do álcool combustível a partir da cana-de-açúcar. Foi, contudo, um revés criador.

  Neste começo de século e milênio, dadas as vicissitudes por que passam os combustíveis derivados do petróleo, volta à tona com ares vitoriosos o Proálcool, e tanto isto é exato que as fábricas de automóveis, que o olhavam à distância e meio zombeteiras, passaram a fabricar carros movidos a álcool e carros que se acham equipados para rodar com a gasolina e o álcool ao mesmo tempo, ou seja, alternativamente.

  O biodiesel tem a seu favor a experiência que o País acumulou nas vicissitudes do Proálcool, em razão do que será provavelmente difícil incidirem as autoridades da República nos mesmos erros d'antanho. Visa-se, de início, adicionar obra de 2% de óleos vegetais ao diesel, o que vigoraria até, aproximadamente, os meados de 2008, quando a proporção da mistura aumentará em razão do suplemento vegetal. Calculam os expertos que essa mistura da ordem de 2% conferiria escala adequada de sustentação ao programa.

  O presidente da República - entusiasmo à parte -, em recente pronunciamento público, chegou a igualar o Programa Nacional do Biodiesel à criação da Petrobras, nos idos de 1950, pelo presidente Getúlio Vargas.

  Ainda que nem só de entusiasmos vivam os projetos econômicos, é evidente que o biodiesel, se conduzido com mão forte, está fadado a produzir grandes resultados de ordem econômica e social para o País, sobretudo para as populações que assentam sobre solos de baixa fertilidade e solos subutilizados. Os Estados do Nordeste são fortes candidatos à liderança na produção da mamona e outras espécies vegetais como a palma (dendê), o girassol, o amendoim e o babaçu. Na Região, tanto quanto sucedeu nos áureos tempos do Proálcool, haverá aumento na oferta de empregos. No Piauí, pelo menos uma empresa de porte já armazena coisa de 20 mil toneladas de grãos de mamona aptos a entrar em regime de produção tão pronto se aclarem e definam as condições efetivas do mercado. Constroem-se as três usinas-piloto incentivadas pelo Governo federal a produzir em escala experimental as primeiras toneladas do biodiesel à base de mamona, para que sejam definidas erga omnes as pertinentes especificações técnicas, uma no Ceará, outra no Rio Grande do Norte e a terceira em Pernambuco.


O biodiesel, se conduzido com mão forte, está fadado a produzir grandes resultados de ordem econômica e social para o País

Frases

Eu não sou um problema. Sou um dos integrantes da chapa. Não me considero um bode expiatório, até porque não tenho essa importância.
José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, dizendo que não vai retirar seu nome da chapa às eleições internas do PT

A redação da Constituição garante direitos às minorias, às mulheres, liberdade de culto em um país que só conhecia a ditadura.
George W. Bush, presidente dos EUA, pedindo que os sunitas do Iraque aprovem Constituição do país

O canal do Sertão está dentro da bacia do São Francisco.
Calcula-se que, diferentemente do Eixo Norte, cerca de 60% de água retornarão ao rio.

Cláudio Marinho, secretário estadual de Ciência e Tecnologia, sobre a transposição do rio São Francisco

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