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Edição de Segunda-Feira, 29 de Agosto de 2005 
Esportes | A saga de eraldo gueiros e carlos burle mundo a fora
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ESPORTES
A saga de eraldo gueiros e carlos burle mundo a fora
O início

  Ele já tinha mais de uma década de surfe, quando sua vida deu uma guinada em 1998. Carlos Burle foi convidado a participar de um campeonato de ondas em Salvador. O bom resultado despertou a atenção de patrocinadores. Mesmo longe dos circuitos mais badalados (WQS e WCT), Burle ganhou reconhecimento e continuou a investir no seu estilo próprio, porém, com mais dinheiro no bolso.

  Anos depois, Carlos Burle ganhou um companheiro. Eraldo Gueiros, outro pernambucano, recebeu uma ajudinha do acaso antes de dar as primeiras braçadas em busca das ondas gigantes. "Quando estava com 16 anos, fui estudar no exterior. Minha mãe queria afastar essa idéia de surfe da minha cabeça", conta. Mas não avisaram a dona Dulce que a Universidade da Califórnia não seria a melhor opção. "Quando me dei conta onde estava, pensei: caí no paraíso".

  O encontro com o mar era diário e, no final do ano, quando chegou o dinheiro para a renovação da matrícula na universidade, Gueiros não teve dúvidas: comprou a passagem para o Hawai e embarcou com os amigos. "Daí para frente, foi caso perdido", diverte-se.

O pico

  Em 2002, durante a Tow In World Cup, uma competição de ondas gigantes realizada em Maverick's, na Califórnia, Burle e Eraldo conquistaram resultados épicos. O primeiro foi o vencedor, ao achar uma onda de 68 pés (cerca de 20 metros), enquanto Eraldo ficou em 2º com uma onda que também ultrapassou os 60 pés (18 metros). "Aquelas foram as maiores ondas das nossas vidas", garante orgulhoso Burle.

o Futuro

  Após encarar as gigantescas ondas daquele inverno californiano, ambos continuam entusiasmados e dispostos a encontrar outros tesouros. Eles explicam que é no período de novembro a março que as maiores ondas se formam no hemisfério norte e, obviamente, é nesse intervelo de alguns meses que os dois fazem as malas e se despedem temporariamente do Brasil.

  Para Burle, cada nova viagem é vista com a mesma empolgação de décadas atrás: "Continuo evoluindo, não penso em parar tão cedo e não trocaria minha experiência pela juventude dos novos surfistas. Quantas ondas eles já surfaram?", indaga Burle. "Mesmo aqueles que são muito bons têm que acompanhar o tempo da natureza e esperar o que o mar tiver a lhes oferecer", filosofa o pernambucano.
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