A movimentação dos trabalhadores pernambucanos do campo para a cidade foi intensa na década de 70. O declínio da atividade canavieira incentivou os cortadores de cana-de-açúcar a partirem em busca de emprego. Justamente nessa década a construção civil vivia um período de prosperidade, com o Banco Nacional da Habitação (BNH) financiando a construção de conjuntos habitacionais em todo o território nacional. O setor estava a pleno vapor, chegando a empregar 80 mil operários no Estado e mais de 4 milhões no País. Era um mercado atrativo para quem vinha do Interior.
"Vivemos a melhor fase. Uma época em que o Governo tinha uma política habitacional. A moradia era planejada e os financiamentos existiam não apenas para as famílias mais abastadas, mas atendiam principalmente à baixa renda", observa o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Pernambuco (Sinduscon/PE), Gabriel Neves Dubeux. A cada esquina, recorda o presidente, uma obra era realizada. Não faltavam oportunidades de trabalho nos canteiros.
O mestre de obras Nivaldo Severino Tenório, 53 anos, conheceu de perto essa fase áurea da construção. Há 35 anos no setor, Tenório veio de Igarassu, município do Grande Recife, para trabalhar no setor. Tinha 18 anos e desde os 13 ajudava o pai no corte da cana-de-açúcar. Mas largou tudo e foi para o Recife atrás das construções. "Tinha muita obra acontecendo. Como eu levava jeito para a coisa, decidi tentar. Era o sonho de ter uma vida melhor", conta. Começou na construção como servente. Seis meses depois foi trabalhar como carpinteiro. Função que ocupou por 10 anos até ser promovido como "encarregado" da carpintaria. Mais uma década se passou e foi alçado a mestre de obras, cargo que ocupa até hoje. "Estou no topo. Mais do que isso só se tivesse feito faculdade para ser engenheiro", se orgulha Tenório, que só teve oportunidade de estudar até a 5ª série.
Embora tenha trabalhado em muitas obras financiadas, para erguer a sua casa própria não recorreu a nenhum empréstimo. Casou, teve três filhos e mora em uma casa confortável com três quartos, duas salas, varanda e quintal em Igarassu. O carro na garagem, mais que um meio de transporte para o trabalho, é um símbolo da boa qualidade de vida que usufrui. "Sou um cidadão feliz, realizado", completa.
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