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Edição de Terça-Feira, 23 de Agosto de 2005 
Política | Mensalinho agita Barreiros
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POLÍTICA
Mensalinho agita Barreiros
Uma denúncia sobre o suposto pagamento de propina a vereadores de Barreiros, município localizado na Zona da Mata Sul, distante 102 quilômetros do Recife, está sendo alvo de investigação por parte do Ministério Público do Estado. O esquema foi revelado ontem pela presidente da Câmara, Fátima Rocha, em reportagem divulgada no jornal NETV, da Rede Globo. A parlamentar acusa o prefeito da cidade, Antônio Vicente, de pagar de R$ 2 mil a cada vereador para eles aprovarem os projetos de interesse do Executivo. Fátima Rocha disse que resolveu denunciar o mensalinho porque passou a ser vítima de acusações anônimas sobre desvio de verba. Segundo ela, o prefeito estaria usando parte dos recursos destinados à Câmara para pagar "mesada" aos vereadores.

  De acordo com o procurador-geral de Justiça, Francisco Sales, a suposta verba usada por Antônio Vicente, conforme a denúncia da vereadora, seria oriunda do duodécimo - verba repassada mensalmente à Câmara pela Prefeitura. Segundo o artigo 29 da Constituição, as Câmaras Municipais devem gastar 70% do duodécimo com o pagamento da folha de pessoal (vereadores e funcionários) e o restante (30%) com custeio e investimento na estrutura da Câmara. "A vereadora diz que era forçada a devolver à Prefeitura o dinheiro que não era gasto com a folha de pagamento", contou Sales.

Repasse - "Era para devolver R$ 18 mil porque seria R$ 2 mil para cada vereador. Um mês ainda mandei R$ 8 mil que ele (prefeito) disse que iria dar R$ 1 mil para cada vereador", contou Fátima Rocha à reportagem. A parlamentar disse, ainda, que quando assumiu o mandato suspendeu o repasse da verba, mas diante da pressão dos vereadores e do prefeito, foi forçada a retomar o esquema.

  Diante das ameaças, a vereadora decidiu levar caso ao Ministério Público. Ontem, Francisco Sales disse que delegou a investigação ao promotor Roberto Brainer. "Ao fazer a denúncia, a vereadora apresentou um cheque de R$ 8 mil que teria sido repassado à prefeitura. "O promotor já iniciou a apuração e houver comprovação dos fatos tanto o prefeito como os vereadores podem ser afastados dos cargos", avaliou Sales. O DIARIO tentou contato com o prefeito Antônio Vicente, mas ele não foi localizado na cidade.
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