APetrobras está realmente disposta a conter a demanda pelo gás natural utilizado por carros e pela indústria. E pode usar aumentos de preços para barrar o crescimento no segmento, afirmou ontem o presidente da estatal, Sérgio Gabrielli. Segundo ele, o aumento da demanda pelo gás não-térmico em 20% ao ano não pode continuar. "Estamos prevendo uma redução do crescimento do mercado de gás natural não-térmico", disse Gabrielli na entrevista coletiva que concedeu para detalhar o plano de negócios da Petrobras nos próximos anos.
Questionado se a empresa poderá recorrer a aumentos de preços, ele foi direto. "Podemos". A declaração de Sérgio Gabrielli veio apenas três dias após a Petrobras ter anunciado reajustes nos preços do gás natural produzido no País e no importado da Bolívia. A partir de 1º de setembro, o aumento é de 6,5% (nacional) e 13% (importado). Em novembro, haverá outro reajuste, de 5% (nacional) e 10% (importado). Gabrielli afirmou que o anúncio de sexta-feira passada teve como um dos objetivos frear a demanda.
O presidente da Petrobras deixou bem claro que o foco da estatal são as termelétricas, que segundo ele não têm como usar outro combustível como substituto, ao contrário de outros setores. "É inadmissível que o gás se torne refém do setor elétrico. Não podemos colocar de lado os segmentos que abraçaram o produto desde o início, como a indústria e o automotivo", afirmou o presidente da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), Romero Oliveira.
Segundo Oliveira, a direção da Abegás está tentando agendar uma audiência com Sérgio Gabrielli para discutir os recentes anúncios da Petrobras que, segundo ele, têm deixado "perplexas" as distribuidoras País afora. O presidente da Abegás disse ainda que a Associação discorda da política de tentar reduzir a demanda por meio do aumento de tarifa. Para ele, o que precisa ser feito é aumentar a oferta.
No início de julho, a Petrobras anunciou o adiamento das obras do Gasene. Imediatamente, o Governo do Estado retomou as negociações com a própria Petrobras e a Shell para a implantação do terminal de regaseificação em Suape, projeto que foi deixado de lado pela estatal justamente por conta do Gasene. Segundo Romero Oliveira, que também preside a Companhia Pernambucana de Gás (Copergás), são vendidos no Estado cerca de 850 mil metros cúbicos/dia de gás para os segmentos industrial, automotivo, residencial/comercial e co-geração.
A expectativa da Petrobras é de que a demanda por gás natural no País cresça dos atuais 37,9 milhões para 99,3 milhões de metros cúbicos/dia em 2010. Segundo as previsões, 46,4 milhões ficarão reservados para as térmicas. A demanda das indústrias será de 39,1 milhões. Outros segmentos ficarão inalterados em 13,8 milhões de metros cúbicos/dia.
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