No dia 25 de dezembro Issa Asfora completará 82 anos. Por ter nascido nessa data, sua mãe escolheu o nome que, em árabe, significa Jesus. Como ele, seu Issa também nasceu em Belém e veio para o Brasil aos 10 anos. Hoje seu nome se confunde com a história da engenharia civil no Estado e ultrapassa as barreiras geográficas. Com sua simpatia, vitalidade e "pés no chão", seu Issa sente orgulho de comandar a Construtora Asfora, a mais antiga em operação no Brasil. Inicialmente criada como Construtora Lemos e Asfora, em 1949, em razão do outro sócio Júnior Lemos, a empresa segue firme até hoje, tendo construído 26 mil unidades habitacionais.
 Construtor se alegra com a realização do sonho do cliente. Foto: Glauco Spíndola. | O segredo para permanecer atuando no concorrido mercado há 56 anos, o sábio Issa tem na ponta da língua. "Nunca dar um passo maior que a perna". Em tom de brincadeira, ele afirma que foi por não ter "crescido o olho", que a empresa conseguiu passar por todas as turbulências políticas, que originaram crises econômicas, e vice-versa, desde o segundo Governo de Getúlio Vargas."Quando estamos com tudo sob controle, sem muitas obras de porte sendo construídas ao mesmo tempo, fica mais fácil contornar os períodos de aperto, de baixas vendas. Virei expert em crises", diz.
Ele sabe de cor. A primeira foi quando o presidente Getúlio Vargas triplicou o valor do salário mínimo, paralisando o País. Depois, segundo Asfora, veio a crise da renúncia de Jânio Quadros. Outras com os planos econômicos para controlar a inflação de José Sarney. Um duro golpe foi na época de Collor, quando ele prendeu o dinheiro de todo mundo no banco. "Agora, essa atual crise do Governo Lula, digo com toda a sinceridade, é a pior de todas. O setor de construção está paralisado. Já estava tudo muito difícil porque não havia financiamento. Agora, as pessoas estão com medo de adquirir um imóvel nesse período de tantas incertezas", ressalta.
Mas pondo em prática uma de suas fórmulas para se manter equilibrado e com saúde aos 81 anos de idade, seu Issa Asfora diz que não vale a pena ficar remoendo coisa ruim. "Nãosou daqueles que deixam de dormir por causa dos problemas", ensina. Assim, do alto de sua vasta experiência no ramo, ele avisa que mesmo "braba" essa crise vai passar, assim como as outras. E confessa que, se tivesse de começar, entraria mais uma vez no mesmo ramo de negócio. "Sinto-me orgulhoso de ser engenheiro. Uma profissão útil para a sociedade. Desde criança gostava de Matemática e de fazer cálculos. Minha paixão era construir casas de brinquedos. Até de barro. Tinha de dar nisso", sorri.
Apesar de os tempos áureos da construção terem ficado pra trás - segundo ele, na época dos governos militares foi o período em que mais se construiu casas populares em todo o País, com o BNH - ele acha que sua empresa ainda tem um grande caminho pela frente. "Tenho meus netos que já partiram para o ramo. Espero ver lá de cima eles trabalhando com isso", brinca. Em homenagens às netas, suas paixões, ele vem batizando os edifícios com seus nomes, a exemplo de Raíssa, Natália, Manuela e Lara.
"Ser engenheiro é ter umaresponsabilidade grande com vidas. A minha maior alegria como construtor é entregar um prédio e ver a felicidade da família que vai morar em cada apartamento. É a realização do sonho daquelas pessoas. Essa é a maior gratificação". Relembrando o passado, na década de 70, quando a empresa construiu 40% das casas populares da antiga Cohab, ele viaja no tempo. "Levo comigo até hoje a alegria daquelas pessoas quando entregávamos os conjuntos habitacionais e víamos a concretização dos seus sonhos", recorda.
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